18 novembro 2011

Adoração que Toca a Deus



Qual é a Adoração que Toca a Deus?

            O louvor com música é algo importante e merece atenção e tratamento mais especial. Não pode ser feito e nem pode ser conduzido de qualquer maneira (I Coríntios 14:26).
Para começar, plágio não é manifestação cultural. É cópia mesmo. Não podemos nos conformar e aceitar o que o sistema maligno nos impõe! Temos que renovar nossa mente na boa, perfeita e agradável vontade do Senhor (Romanos 12:1,2). O rei Davi inovou o culto ao Senhor, mas isso foi agradável a Deus que confirmou o que ele fez. Temos que ter cuidado com as inovações, pois se é apenas nossa vontade, Deus não aceita. Israel também fez algumas invenções para se satisfazerem, mas Deus reprovou (Amós 5:23; 6:5; 8:10). Cada vez mais, surge um produto pronto para consumo e os “evangélicos” adotam o que o mundo sacrificou aos ídolos (I Coríntios 10:23,24,28). Já os salmistas disseram:

            “De ti vem o meu louvor na grande congregação...” Salmo 22:25
            “De boas palavras transborda o meu coração. Ao Rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de habilidoso escritor.” Salmo 45:1
            “Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca manifestará os teus louvores.” Salmo 51:15
"Tanto os cantores como os que tocaminstrumentos dirão: Todas as minhas fontes estão em ti." Salmo 87:7

            Quem declara as palavras acima não está apoiado em algo que aprendeu com pessoas que não servem a Deus, mas sim, o que recebeu do próprio Deus. O escritor do segundo versículo chega a dizer que não é o compositor dos cânticos que entoa, mas sua língua era apenas um instrumento (a pena) usado por Deus, o habilidoso escritor.
            Mas para que Deus possa inspirar a adoração com música faz-se necessário uma preparação. Não é de qualquer maneira que entramos no Santo dos Santos para adorá-lo. Só podemos entregar algo para Deus quando estivermos preparados para isso (Salmos 57:7; 108:1), ligados ao mundo espiritual (João 4:24). Os levitas cantores tinham até vestimentas especiais para o momento de oferecerem seu culto: I Crônicas 15:27

            Não é errado cantarmos de acordo com a necessidade do momento, pelo contrário (Isaías 12:5; 26:1; 42:10; Tiago 5:13). Como, num momento de descobrimento de um pecado no seio da Igreja, cantarmos hinos de júbilo, e não de quebrantamento? Como, após uma grande perda, não cantarmos sobre a esperança divina?
            Lembre-se que não se compõe hinos quando queremos (Jó 35:10). Muitos cantores e grupos “famosos” têm forçado a barra, pois acham necessário gravar um CD a cada ano e, por isso, acabam enfadando a Igreja com praticamente a mesma letra, a mesma melodia, a mesma coisa... Não há inspiração divina...

            Outro detalhe muito importante que percebi no decorrer dos anos: Muitos dizem que a adoração prepara a Igreja para a pregação da Palavra, pois a adoração atrai a presença de Deus. Mas percebi uma coisa diferente: Quando um grupo de louvor “canta, canta, canta” sem objetivo, sem uma mensagem específica e sem trazer à memória o quanto Deus é digno de louvor, tudo não passa de um show, no máximo, bem animado, mas sem a presença de Deus. O Salmo 119:7 diz: “Render-te-ei graças com integridade de coração, quando tiver aprendido os teus retos juízos.” Enfim, não adianta ter uma bela voz, um belo som, ou um hino inspirador. O que levará a congregação a adorar é o toque da Palavra em cada coração, seja do ministrante, seja do ministrado. Sendo assim, antes de começar a “cantarolar”, invoque a presença de Deus com a oração e traga ao povo a reflexão das Escrituras, que é a nossa fonte inspiradora que nos leva a Deus.
            O contato com a Palavra de Deus, portanto, para o músico, é bem maior do que muitos pensam.

            Além da Palavra nos motivar a adorar a Deus, nossos cânticos precisam de teor doutrinário. Precisam conter ensinamentos e admoestações, como diz o versículo abaixo. Mas como se dará isso se, na maioria das congregações, as pessoas envolvidas com a música (não disse todos, mas a maioria) não gostam de freqüentar a Escola Dominical, os demais estudos bíblicos e sequer pegam a Bíblia para meditar em seu cotidiano. Se não for para trazer edificação espiritual à Igreja, de nada serve a música.

            “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo, instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” Colossenses 3:16

            Como já dissemos, a música não prepara a Igreja para a pregação, mas a própria música é um meio eficiente de educação e pode sustentar a pregação do Evangelho. Através do canto, podemos ensinar as grandes verdades bíblicas de maneira eficaz. Certo homem disse: “Dai-me o direito de compor as canções de uma nação e eu não me preocuparei com quem faz as suas leis.” A música tem uma força incrível sobre a nossa mente!
            Cada capítulo do livro de Salmos contém a teologia dos hebreus. O povo aprendeu os salmos cantando-os repetidamente por séculos e, tal procedimento, serviu para doutriná-los na crença de seus pais, tais como os fatos relatados nos cinco primeiros livros das Escrituras: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
            O primeiro Salmo é um cântico que exorta à meditação da Palavra e o maior cântico, o Salmo 119, é um cântico de exaltação justamente à Palavra.

            Em I Coríntios 14:9,15 também podemos aprender que músicas estrangeiras que nos atrai principalmente pelas belas vozes ou melodia, quando não sabemos a tradução, para nós não é louvor ao Senhor, mas sim, trombeta incerta. Se não entendemos o que cantamos, é impossível estarmos adorando ao Senhor. Devemos louvar com a razão (Romanos 12:1) e com entendimento (Salmo 47:7; I Coríntios 14:15). Quando fazemos algo simplesmente porque o outro fez ou porque alguém lhe pediu para fazer, isso não é adoração.
            O louvor expressa a glória de Deus (Salmos 138:5), o cuidado de Deus (Salmos 23; 42:5); a majestade de Deus (Salmos 96:1,6), a esperança que há em Deus (Salmos 40:1-3), a salvação que vem de Deus (Salmo 18:46)... em cada salmo Deus é exaltado. É o tema de cada canção. Verifica-se que o nome de Deus é mencionado tanto diretamente como por inferência em quase todos os versículos.

            Mas a música é uma arte altamente técnica e exigente. Todos que participam de sua beleza e eficácia são obrigados a pagar o preço, através de um trabalho contínuo e constante prática. O rei Davi foi o primeiro que separou homens que ficassem responsáveis pela música no culto (I Crônicas 16:4-7) e seu programa de treinamento foi de tal maneira organizado que, hoje em dia, nos desafia. Os 288 músicos separados eram todos mestres na música (I Crônicas 25:1-8). Havia entre eles responsáveis sob cada seção, tanto do programa, quanto dos instrumentos e do coro. Esses homens eram responsáveis pelos seus respectivos setores de trabalho, no treinamento e direção das organizações musicais, onde transmitiam aos seus alunos as técnicas e o conhecimento relativo à sua especialização, para o benefício das gerações futuras.
            Esses homens foram de fato requeridos para se dedicar a um tipo de aprendizagem, desde os 20 anos, fazendo tarefas manuais relacionadas com o templo, e assistindo, de diversas maneiras, aos sacerdotes. Depois de terem passados por 10 anos de treinamento, estariam bem preparados para atender ao chamado e servir ao Grande Rei, o Senhor Deus.
            Quem louve, louve com arte (Salmo 33:3), ou seja, toque bem, toque com técnica, e não de qualquer maneira. Tem que haver programação, treinamento, preparo e organização no louvor (Neemias 12:27-43).
            É claro que não podemos fazer uma programação meramente humana, cheia de regras, pois Deus opera na espontaneidade, na voluntariedade e na liberdade. Moisés, Miriam, Davi etc. fizeram canções em momentos assim. Quando em Mateus 21:16, Jesus diz que o perfeito louvor é o que sai da boca de uma criança é justamente por causa dessa espontaneidade. A criança é inocente e expressa tudo o que vier a mente na hora sem se importar com o que vão pensar dela.
            Em I Crônicas 23:5 registra-se 4.000 entre cantores e instrumentistas. Que coro, heim?!! Em Esdras 2:65 registra-se cantores e “cantoras”. Portanto, mulheres, louvem!!
            O ministério da adoração, portanto, exige sacrifícios (Efésios 2:3). Auto suficiência, orgulho, egoísmo, vaidades, soberba... devem morrer! Sacrifício nesse sentido significa sofrer a perda de alguma coisa em favor de um ideal ou causa. Renunciar voluntariamente a algo, uma abnegação feita por amor, sofrimento. Jeremias 17:26; Hebreus 13:15; Romanos 12:1-2
            Precisamos, antes de tudo, ter uma vida que louva ao Senhor (I Coríntios 6:20). O verdadeiro louvor se manifesta em ações e em atitudes do cotidiano, e não apenas em poucos minutos de um culto. Adoremos ao Senhor em todo o tempo, seja com ou sem música: Salmos 34:1; 42:8; 71:6,14; 77:6; 119:164; 145:1; Efésios 5:20.
            Isso é adoração!

Músico é Levita?

Em primeiro lugar, a maioria dos que cantam ou tocam nas congregações nunca frequentaram uma escola de música, portanto não são músicos. Isso não quer dizer que não toquem ou cantem bem, até porque estamos falando de um dom natural. Por exemplo, existem muitos escritores que nunca fizeram um curso de Letras, ou cozinheiros que nunca se formaram na faculdade de culinária etc.
Além disso, o que é ser levita? Músico pode ser considerado um levita? Definitivamente, NÃO! Levita é todo aquele que é descendente de Levi, filho de Jacó. Os levitas formavam uma tribo que foi diferenciada das outras para se dedicarem totalmente ao serviço do templo, seja no sacerdócio (intercessão, oferecimento de sacrifícios), no trabalho braçal (montar, carregar e desmontar o Tabernáculo e seus móveis) ou na manutenção do Templo (guarda, limpeza e construção ou reforma). Desde que Moisés foi orientado a construir o Tabernáculo no deserto até Davi, que foi quem estabeleceu levitas como músicos, se passaram aproximadamente 500 anos. Isso é  quase a idade que o Brasil tem de descoberto, ou seja, muito tempo depois.
Se fossemos comparar a tribo de Levi com alguém atualmente, estaria ligado a todos os que prestam algum serviço ao Reino de Deus, que (embora se pregue muito as bênçãos materiais hoje) não tem herança nesta terra, portanto, a Igreja. Seja os pastores (que se dedicam completamente para o Reino), os missionários, diáconos, porteiros, zeladores, os que limpam, inclusive os que cantam ou tocam etc. todos seriam simbolizados pelos levitas: não só os músicos.
Além disso, os levitas cantores eram isentos, sim, de outros serviços (I Crônicas 9:33), mas no momento que todo o povo foi convocado tiveram também que trabalhar pegando no pesado (II Crônicas 34:12,13).
Seja lá quem chamou exclusivamente os músicos de levitas pela primeira vez, cometeu um grande equívoco.

            “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Teu nome dá glória, por amor da Tua misericórdia e da tua fidelidade.” Salmo 115:1


Compartilhado na classe de Mocidade, na Escola Dominical da Igreja Batista Nova Filadélfia em Vila Kennedy.

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