10 junho 2020

DANIEL, O HOMEM QUE APRENDEU A DESEJAR A ETERNIDADE



O menino Daniel

Daniel era muito novo quando a Babilônia, atual Iraque, atacou sua terra e levou escravizados muitos jovens como ele. Em um só dia Daniel perdeu seus pais, sua família, seus líderes e professores, o santuário, sua terra natal, sua casa, seus sonhos de vida e de uma futura família, sua herança.

“No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pôs os utensílios na casa do tesouro do seu deus. E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus.” Daniel 1:1-4

“Os quais Nabucodonosor, rei de babilônia, não levou, quando transportou de Jerusalém para Babilônia a Jeconias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, como também a todos os nobres de Judá e de Jerusalém;” Jeremias 27:20



Não sabemos quantos anos Daniel tinha quando foi levado cativo. As Escrituras nos relatam que ele era ainda novo, de forma que pudesse aprender a cultura e conhecimento de Babilônia, e ele era rico (nobre), e trabalharia como escravo e eunuco servindo ao rei em seu palácio.


Daniel e sua obediência a Deus

Fico pensando o que poderia vir à mente de Daniel aqueles dias...
Todos os projetos de vida que fora estabelecido para ele foram frustrados em um só dia. Poderia ter pensamentos de medo, raiva, decepção, incertezas, solidão, saudades, tristeza, ansiedade... angústia!

Talvez outros meninos, em seu lugar, se revoltariam. Rebelar-se-iam contra Deus. Pensariam em fazer o que “lhe desse na telha”, já que agora está longe da visão de seus pais e sacerdotes. Mas Daniel não era um menino qualquer. Ele tomou a melhor decisão de sua vida: continuar servindo a Deus!

“E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias; E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias o de Sadraque, e a Misael o de Mesaque, e a Azarias o de Abednego. E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar.” Daniel 1:5-8



O mesmo Deus que Daniel aprendeu a adorar em Jerusalém, é o Deus que também o via em Babilônia. Ele poderia estar longe dos olhos de seus pais, de seus líderes, dos sacerdotes, mas não estava longe dos olhos de Deus. E os três próximos anos de estudos intensos e muita dedicação a Deus e aos homens, tornou Daniel e seus amigos, judeus de destaque.

“Quanto a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos. E ao fim dos dias, em que o rei tinha falado que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe diante de Nabucodonosor. E o rei falou com eles; entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo diante do rei. E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que havia em todo o seu reino. E Daniel permaneceu até ao primeiro ano do rei Ciro.” Daniel 1:17-21

É maravilhoso quando temos em quem nos espelhar. Amo a história de Daniel porque ela me desafia a ser melhor. Induz-me a dedicar-me em todas as áreas da vida, estudos, trabalho etc. Mas, em primeiro lugar, a servir a Deus, nas melhores e nas piores circunstâncias.

A passagem acima diz que “Daniel permaneceu até ao primeiro ano do rei Ciro”. Ou seja, foram setenta anos de dedicação a Deus e aos homens, com constância, com perseverança. Daniel não apenas serviu a Deus nos momentos bons. Ele passou dias de glória e de vergonha, mas não se desviou do seu propósito de amar e buscar ao Senhor.


Daniel, o amigo querido de Deus

“Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer... Então responderam ao rei, dizendo-lhe: Daniel, que é dos filhos dos cativos de Judá, não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edito que assinaste, antes três vezes por dia faz a sua oração.” Daniel 6:10,13



Daniel orava três vezes ao dia voltado para Jerusalém. Seu sonho sempre foi ver sua terra natal, Jerusalém, restaurada. Mesmo após sua velhice, ele não parou de orar. E ele se dedicava à oração, não por ser uma pessoa desocupada, pois tinha muitos compromissos reais. A tal ponto que, mesmo depois que Babilônia foi vencida, o novo reino da Pérsia, confiou a Daniel novamente cargo de confiança. Mas não era só os olhos dos homens que chamavam atenção de Daniel. 
A oração de Daniel não era egoísta. Ele não pedia coisas para si mesmo. Ele era um intercessor e alcançou pela oração intimidade com Deus. 
Deus o amava, como seu querido amigo!

“Estando eu ainda falando e orando, e confessando o meu pecado, e o pecado do meu povo Israel, e lançando a minha súplica perante a face do Senhor, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus, estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde. Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão.” Daniel 9:20-23

“E me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que vou te dizer, e levanta-te sobre os teus pés, porque a ti sou enviado...” Daniel 10:11

Imagina você orar muito por uma pessoa, ou por uma causa, mas, conforme os anos se passam, você não percebe mudanças para melhor. É um desafio permanecer em oração, não é mesmo? Mas Daniel permaneceu em oração, mesmo setenta anos depois. Seu sonho era ver sua terra restaurada e seu povo também servindo a Deus.

Daniel sabia que a causa de toda sua história ter sido alterada foi o pecado de Judá, o Reino do Sul. Jerusalém foi destruída por desprezar a Deus e servir aos falsos deuses, cometendo todo tipo de abominação contra Deus e contra o próximo.

Mas Daniel não nutria ódio contra os seus. Como vimos na passagem acima, ele orava por seu povo. E seu desejo era ver a restauração de Israel.


A Pedra cortada e o Reino eterno

Depois de um tempo em Babilônia, Daniel foi usado por Deus para milagrosamente revelar o sonho e a interpretação do sonho que Nabucodonosor tivera. Tenho certeza que aquele sonho renovou as forças de Daniel, pois prometia que, após se levantar quatro reinos mundiais sobre a terra, Deus iria estabelecer seu Reino para sempre!

“Quando estavas olhando, uma pedra [EVEN - אבן] foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras no estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios. Mas a pedra [AVENA - אַבְנָא] que feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a terra. Este é o sonho; e também a sua interpretação diremos ao rei... Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste que do monte foi cortada uma pedra [EVEN - אבן], sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação.” Daniel 2:34-36,44,45



O sonho com certeza foi um projeto de Deus para dar ainda mais destaque ao seu servo Daniel em Babilônia, e também para mostrar o Seu poder e glória, pois nenhum falso deus foi capaz de revelar aos feiticeiros, magos, astrólogos etc. o sonho e sua interpretação.
Mas, além de tudo isso, um sonho foi gerado em Daniel: Babilônia vai cair, outros três impérios virão, mas depois de tudo isso o Reino de Deus será estabelecido! Maranata!

Assim que Daniel e os nobres de Judá foram levados como escravos, alguns falsos profetas se levantaram para dizer que o cativeiro babilônico duraria apenas dois anos (Jeremias 28:3,11). Mas outro homem de Deus da época chamado Jeremias havia desmascarado aquela mentira e sentenciou os judeus a setenta anos prisioneiros em Babilônia (II Crônicas 36:21; Jeremias 25:11,12; 29:10; Zacarias 1:12; 7:5).

As cartas do profeta Jeremias chegaram em Babilônia e, com certeza, Daniel teve acesso a elas. Por mais que não visse mudanças aparentes, Daniel confiou e esperou no Senhor todo este tempo, até que chegou o ano septuagésimo:

“No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.” Daniel 9:2 (ler Daniel 9:1-19)



Chegou o tempo em que Daniel tanto esperou. Cumpriram-se os setenta anos e Daniel implora o favor do Senhor. Porém, de fato, uma parte das orações desse amado irmão foi ouvida. Naquele ano os judeus foram libertos do cativeiro pelo novo império que havia se levantado, a Pérsia, atual Irã. Mas, o anjo Gabriel vem até o profeta Daniel esclarecer que ainda faltaria muito para que o pecado do povo israelita fosse removido e sobre Jerusalém e o santuário fossem cheios da glória de Deus!
Como Deus havia revelado antes, depois de Babilônia, se levantou a Pérsia, mas ainda faltava se levantar mais dois impérios: o grego e o romano.

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.” Daniel 9:24-27



Semanas aqui não se refere a sete dias. Nas Escrituras Sagradas, uma semana equivale à sete anos:
Cumpre a semana desta; então te daremos também a outra, pelo serviço que ainda outros sete anos comigo servires. E Jacó fez assim, e cumpriu a semana de Lia; então lhe deu por mulher Raquel sua filha.” Gênesis 29:27,28
“Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos.” Levítico 25:8

Sendo assim, Daniel teria que fazer alguns cálculos. Naquele ano os judeus voltariam para sua terra natal. Mas haveria um outro tempo a se iniciar.
Desde o ano em que os muros de Jerusalém começassem a ser reconstruídos (o que relata o livro de Neemias), até ao Messias ser cortado, haveria sessenta e nove semanas. Ou seja, 69 x 07 = 483 anos.
Sem contar mais uma semana que ocorrerá nos tempos do fim, para completar as setenta semanas... Mas vamos deixar essa última semana para um outro estudo...

Assim como a pedra do sonho de Nabucodonosor foi cortada, assim também o Messias seria cortado:
“... uma pedra foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou...” Daniel 2:34
“E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias...” Daniel 9:26

Sendo assim, o Messias é comparado à Rocha, que precisaria ser cortado para estabelecer o reino de Deus sobre a terra.




Daniel aprende a almejar a eternidade

Eis a questão: Daniel suportou e esperou setenta anos para ver seu povo ser liberto, e viu. Mas ele não suportaria mais de quatrocentos anos para ver o seu Rei e Messias.
Ele conseguiu ver a Babilônia cair e um novo reino se levantar, mas não aguentaria ver todos os novos impérios que viriam.
Na “altura do campeonato” ele já estava com mais de oitenta anos, quem sabe, já tinha ultrapassado os noventa.
Deve ter sido difícil para ele saber que morreria antes de ver o que tanto pediu acontecer...

Mas o Deus que cumpriu a Sua promessa e libertou os judeus do cativeiro babilônico através dos medo-persas, é poderoso para cumprir com as outras promessas, no tempo certo, da forma certa.

A seguir, alguns anos se passam e Daniel está triste (Daniel 10:2,3). Deus envia mais uma vez Gabriel para consolá-lo e fortalece-lo (Daniel 11:1) revelando mais detalhes sobre como seriam os reinos que viriam sobre a terra.
Deus revelou ao seu amigo Daniel coisas extraordinárias! Detalhes que ocorreriam desde os reis da Grécia, de Roma e o futuro rei que virá sobre o mundo, ao qual as Escrituras chamam de Anticristo. Então, o anjo diz ao idoso Daniel:

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente... e jurou por aquele que vive eternamente ... Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias.” Daniel 12:2,3,7,13

Aquele que vive eternamente, o El Olam, o Deus eterno, há de ressuscitar seu amigo Daniel nos tempos do fim, e, ainda que ele tenha perdido suas riquezas na juventude, havia uma herança reservada para ele! A sabedoria e justiça de Daniel teria recompensa, até porque a nossa história não termina aqui. Assim como Daniel soube governar os negócios dos caldeus e dos persas, assim Deus tem reservado para ele uma glória ainda maior do que a dos reinos desse mundo. Quem sabe Daniel será um dos que estará ao lado do Messias para auxiliar na administrar do reino dos céus. Grande será a honra que virá de Deus para ele. Como o fulgor do firmamento e como as estrelas sempre e eternamente!



Assim como Jesus ressuscitou e a pedra do sepulcro rolou, assim também Daniel há de ressuscitar!

Esse texto bíblico também se encaixa perfeitamente na vida de Daniel:

“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” Hebreus 11:13-16

Agora, Daniel não tinha mais esperança das coisas perecíveis. Ele tem um sonho: ver o reino eterno sobre a terra e, como o anjo disse, ele precisava perseverar até o fim dos seus dias aqui, pois a Rocha que do sonho de Nabucodonosor exatamente 483 anos depois foi cortada, ferida, a fim de trazer perdão, não apenas para os judeus, mas para todo o que nEle crer...

E assim como Deus cumpriu a primeira parte da profecia, em que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Ele cumprirá a segunda parte da profecia. Jesus virá estabelecer o Seu Reino sobre a terra.

O estudo continua...

19 maio 2020

EL OLAM - O DEUS ETERNO! "A Eternidade de Deus"



El Olam, o Deus Eterno

Abraham, com a idade de 100 anos, tinha acabado de ver a promessa de Deus se cumprir. Seu filho Isaque nasceu. Realmente o que para ele era impossível, Deus fielmente realizou, como havia dito.
Abraham entendia que ainda muitas outras promessas de Deus iriam se cumprir, muito tempo depois de sua morte (Gênesis 15:13-16). Abraham poderia morrer, mas Deus não morre e tem o tempo certo para realizar cada coisa!
Após ver a profecia de seu filho se cumprir (Gênesis 21:1-8), Abraham fez uma aliança com o rei Abimeleque que deveria durar por gerações: os poços que Abraham cavasse, não poderiam ser tomado pelos filisteus e vice versa. Abraham novamente não estaria vivo para poder cumprir aquela promessa, mas sabia que Deus não morre e poderia zelar por isso!
Por último, após Abraham cavar um poço e encontrar água no território da aliança, ele planta uma árvore que não esperava provar de seus frutos. Uma tamargueira poderia levar mais de 10 anos para frutificar. Mais um motivo para Abraham confiar que Deus não morre, e iria zelar por sua descendência em várias gerações.
Em todo este contexto, Abraham afirma:

“E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno.” Gênesis 21:33

Deus eterno, no hebraico, é “El Olam”. Esse é o último título de fama que é revelado para Abraham. Abraham poderia dormir (morrer), mas Deus para sempre estaria zelando pelas futuras gerações de seu filho... eternamente!


Deus não tem início, nem fim!

“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade a eternidade! Amém e amém!” Salmos 41:13

“Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Salmos 90:2

“Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.” Salmos 102:27

“Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR meu Deus, meu Santo?...” Habacuque 1:12a

“Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” I Timóteo 1:17

Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.” I Timóteo 6:16

Quando a Escritura afirma que Deus é de “eternidade a eternidade”, reconhece que Ele é antes do tempo começar e depois que o tempo terminar. Ele não tem início, nem fim.
Para explicar ao homem limitado Sua infinitude, o Senhor deixou para nós alguns exemplos na própria matemática. Quando estudamos os Números Inteiros e os Números Racionais, percebemos que não existe o primeiro número, nem o último, e entre um e outro número, não há fim:

..., -3, ..., -2, ..., -1, ... - 1/2, ..., 0, ..., 1, ..., 2, ..., 3, ...

Outro exemplo, na própria matemática é o caso das dízimas periódicas.
Por exemplo, se nós realizarmos a divisão de certos números, não encontraremos resultado finito:

8 : 6 = 1,333...
10 : 3 = 3,333...

No campo da matéria, eu não tenho como cortar uma laranja de 10 cm em três partes iguais. Ficaria um número infinito (3,333... cm). E se eu tenho 5 laranjas, eu não tenho como tirar 6 laranjas (5 - 6 = -1). É impossível naturalmente falando. Mas no campo das ideias, no campo imaterial, isso é racional.

Embora esse raciocínio seja complexo, é um raciocínio científico, exato e lógico.

O ser humano é incapaz de compreender a eternidade, por sua limitação. Mas não deve desprezá-la. Embora tão limitado, não posso descrer do Senhor e deixar de buscar o conhecimento dEle através do que Ele revelou.
Deus é eterno, não teve um começo de dias nem terá um final de dias porque Ele está além da nossa dimensão. É sobrenatural! É espiritual!




Deus está fora do tempo. Ele é!

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade e cujo nome é Santo: “Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” Isaías 57:15

Se Deus "habita" na eternidade, significa dizer que Ele está fora do tempo. Não está preso ao tempo.
E, por estar fora do tempo, contempla tudo de fora. Para Ele, passado, presente e futuro são a mesma coisa. É como um expectador de três quadros (passado, presente e futuro) no museu. E, além de contemplar tudo isso, simultaneamente, Ele ainda tem a capacidade de conhecer todas as possibilidades que poderiam ocorrer na história de cada ser humano.
Deus é muito mais que possamos alcançar...

“Ainda antes que houvesse dia, EU SOU;...” Isaías 43:13

As palavras “Eu Sou” (no hebraico, YHWH [יהוה]) compõe o nome que Deus se identificou para se revelar ao mundo por meio de Moisés, libertando Israel da escravidão egípcia e proclamando Sua autoridade perante todas as entidades (ditas deuses) no Egito (Êxodo 3:14).

“E eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o EL SHaDaY (que significa Deus Todo Poderoso [אל שדי]); mas pelo meu nome, YHWH (que significa Eu Sou [יהוה]), não lhes fui perfeitamente conhecido.” Êxodo 6:3

Diferentemente de todos os demônios (considerados deuses pelas mitologias de todos os povos) que sempre tiveram uma origem, o Deus Criador nunca foi criado. Nunca passou a existir. Ele sempre foi, é e sempre será!




Deus criou o tempo, ao criar com os céus e a terra

A primeira frase das Escrituras Sagradas é “No princípio criou Deus o céu e a terra.” Gênesis 1:1
O termo “No Princípio” no grego é Gênesis [γενεσις] e no hebraico é BRHSHYT, ou Bereshyth [בראשית] e indica o tempo em que Deus começou a criar.
Na palavra Bereshyth [בראשית] temos uma preposição e um substantivo.
A letra hebraica que corresponde a nossa letra “B” [ב] é a preposição “em, com”. O restante da palavra, RHSHYT [ראשית] significa em Português “Princípio”, “começo”, “origem”.

Se aplicarmos a preposição “com”, ficaria assim: "Com o Princípio, criou Deus os céus e a terra." Estaríamos dizendo que Deus, ao criar os céus e terra (ou a matéria), com eles, criou o Princípio, ou seja, o tempo.

Conforme os estudos da Física, "matéria, espaço e tempo" estão amarrados um ao outro. Eles surgiram juntos e um depende do outro. Nós estamos presos ao espaço e ao tempo, conforme o versículo abaixo:

"E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;" Atos 17:26

Mas o que seria o Princípio? É a origem do que? De quem? De Deus? Não!
Neste período Deus já aparece criando céus e Terra, mas Ele já existia. Ele é pré-existente! Ele é eterno! Sem início, nem fim!

A matéria está totalmente ligada ao tempo. Um não existe sem o outro. Sendo assim, a causa da matéria e do tempo precisa ser algo que não tem matéria nem tempo.
Se Deus é imaterial ("Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." João 4:24), ele é atemporal. Ele não está na linha do tempo.

Então, se Deus é atemporal ele não pode ter início. O início só pode ser marcado com o tempo (se há um presente, é porque houve um passado e haverá um fim, ou futuro). Se não há tempo não há início. Se não há início então Deus não pode ser criado.
Deus é eterno, sempre existiu. Um ser eterno não pode ser causado, se não Ele não seria eterno.



El Olam 

O hebraico “Olam” encontra-se nas Escrituras relacionado a:

a) Coisas secretas ou escondidas ( por exemplo, Levítico 5:2 “oculto”; II Reis 4:27, “encobrir”; Salmo 10:1, “esconder”);

b) Um período ou tempo indefinido ( Levítico 25:32, “perpétuo”; Josué 24:2, “antigamente”)
Portanto, a palavra foi usada para expressar a duração eterna do Ser de Deus (Salmo 90:2, “de eternidade a eternidade tu és Deus”).


Vamos analisar a palavra bíblica usada para eternidade através de um tipo de escrita antiga (hebraico arcaico) que chamamos de escrita pictográfica, ou seja, quando o alfabeto hebraico surgiu, assim como o fenício e outros, cada letra era um desenho com significado que, junto com outros, formavam as palavras e frases.

Na imagem acima, temos as figuras para cada letra hebraica atual, e destacamos as letras do nome “Olam”.

A palavra Olam muitas vezes é traduzida por "para sempre", "eternamente" ou mesmo, "tempo antigo". Mas, como ficaria se usássemos o hebraico arcaico?

Veja na imagem acima, na parte inferior, Olam está escrito com as letras modernas e com as letras pictográficas.

A primeira letra (ayin) simboliza nitidamente um olho (ver); A segunda letra (vav) é um prego, gancho ou estaca; A terceira letra (lamed) é um cajado, vara que indica uma direção, controle sobre algo ou estímulo sobre algo; A última letra (mem) simboliza o mar, as águas.
Juntando os significados, poderíamos ter algo como: "olhando fixo em direção ao mar."

Olam, portanto, nos indica o horizonte, algo que não tem limite, pois quanto mais nos aproximamos dele, sempre tem mais. O horizonte não tem fim... Ou seja, a eternidade está indicada na própria palavra que Abraham utilizou-se para se referir a Deus.

“Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento.” Isaías 40:28





Na eternidade, Deus nos amou

“Deus fez tudo formoso no seu devido tempo. Também pôs a eternidade no coração do ser humano, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.” Eclesiastes 3:11

Deus colocou no coração do homem o desejo pela vida eterna e deu o caminho para isso, comer da árvore da vida:

“E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.” Gênesis 2:9

Mas o ser humano preferiu acreditar na mentira da serpente e procurou a eternidade de outra maneira:

“Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.” Gênesis 3:4

Como Deus, na eternidade, antes de criar todas as coisas, já sabia que o homem iria fazer escolhas erradas, por Seu infinito amor, planejou, desde a eternidade, nos salvar, por meio de Jesus Cristo, o último Adam, que abriria novamente o caminho para a árvore da vida:

“Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade.” Salmos 25:6

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

“Ao contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou, antes do princípio das eras, para a nossa glória.” I Coríntios 2:7

“Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos;” II Timóteo 1:9

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.” Apocalipse 2:7

“Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.” Apocalipse 22:14





Rocha eterna

Unir as duas palavras é algo interessante: “rocha” + “eterna”. 
A rocha nas Escrituras simboliza aquilo que é durável, que não muda, por conta da sua característica natural de permanecer inalterada por um longo espaço de tempo.

E Deus é visto como aquele que é a Rocha. E, como tal, sempre reinou, e para sempre reinará!

“Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR DEUS é uma rocha eterna.” Isaías 26:4

“Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o grande Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.” Daniel 2:44,45

“Deus ouvirá, e os afligirá. Aquele que preside desde a antiguidade (Selá), porque não há neles nenhuma mudança, e portanto não temem a Deus.” Salmos 55:19

“Mas o Senhor Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação.” Jeremias 10:10


E Jesus é aquele que reinará na eternidade, assim como antes de se esvaziar e se fazer homem, reinava. Ela é a Rocha que foi ferida para nos dar a eternidade:

"E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." Miquéias 5:2

“Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;” João 5:26

"E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." João 17:5

“Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre.” Hebreus 7:3

Nós nos desesperamos, nos frustramos, nos entristecemos, ficamos ansiosos, nos decepcionamos, ficamos aflitos, com medo, cheios de dúvidas, incertezas, mas Deus, que está acima do tempo, não se abala com nossos momentos de dor, até porque, são só momentos.
Ainda que para nós doa muito, porque somos limitados e fracos, e geramos muitas expectativas que Deus não aprovou, mas Ele conhece o nosso futuro. 
Ele já sabia que iriamos falhar, Ele já sabia que iriamos perder, ou mesmo, que não iriamos alcançar aquilo que nós queremos. Mas entenda que Ele preparou um futuro maravilhoso para nós. A eternidade será extraordinária. Confie naquele que preparou um excelente futuro para você e corra atrás dessa eternidade, corra atrás do “mar”, do “horizonte”. Persiga os sonhos de Deus para você.

Abra mão de viver para si mesmo e passe a sonhar os sonhos de Deus. A recompensa é a eternidade!


Você pode também assistir um pouco desse estudo no vídeo abaixo. Confere aí:


10 maio 2020

MOISÉS ESCREVEU A TORAH (PENTATEUCO)?



Os cinco primeiros rolos (livros) das Escrituras Sagradas: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio formam um conjunto de registros chamados de “Torah”, no original hebraico, ou “Lei”, em nossas traduções bíblicas para o Português, ou então “Pentateuco”, pela teologia.
A pergunta a ser respondida nesse estudo é se Moisés realmente teria condições de ter escrito esses cinco registros.


I. Moisés pode ter escrito algo? Havia escrita?

A arte da escrita era largamente difundida muito antes de Moisés nascer, sendo possível ele ter todas as condições para redigir a Torah.

Na Ásia (Mesopotâmia), há milhares de achados arqueológicos com textos cuneiformes (tipo de escrita feito com auxílio de objetos em formato de cunha) sumérios, babilônicos, hititas, fenícios etc. principalmente escritos em tábuas de argila.




Na África (Egito), local onde Moisés cresceu, a escrita passou por três fases: no antigo Egito havia a escrita hieroglífica (que vem do grego “hieróglifo”, e significa “sinal sagrado”) e era primitivamente pictográfica, isto é, cada um dos seus mais de 600 símbolos representava um objeto. Depois, surge a escrita hierática, em formato cursivo e usada para fins comerciais. Por último surge a escrita demótica, uma forma mais simples e mais popular.



Lembre-se de que as Escrituras Sagradas afirmam que “Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras.” Atos 7:22 Sendo assim, Moisés teria condições de escrever, que era uma das habilidades antigas entre os egípcios.



II. Moisés escreveu em hebraico? Já havia a língua hebraica?

Os descendentes de Abraham eram reconhecidos pelos cananeus e pelos egípcios como hebreus, e a Palavra afirma que eles tinham uma língua própria. Além disso, a arqueologia já provou que existia uma forma de escrita anterior que deu origem ao alfabeto hebraico atual:

a) Héber, os hebreus e o hebraico

“E a Sem nasceram filhos, e ele é o pai de todos os filhos de Héber, o irmão mais velho de Jafé. Os filhos de Sem são: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã... E Arfaxade gerou a Selá; e Selá gerou a Héber. E a Héber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joctã.” Gênesis 10:21-25

Noite que o texto acima diz que Sem é o pai de todos os filhos de Héber. Por que Deus destaca esse fato, tendo em vista que Sem não é o pai direto de Héber? Na verdade, Sem é o bisavô de Héber. O texto trás esse destaque pela importância de Héber nas Escrituras. Ele seria o patriarca da família de Abraham (Gênesis 11:10-26). É dele que os descendentes de Abraham recebem o nome de “hebreus” e, por isso, sua língua se chama “hebraico”.

Só uma curiosidade: Héber foi pai de Pelegue, que foi pai de Reú, que foi pai de Serugue, que foi pai de Naor, que foi pai de Terá, que foi pai de Abraham (Gênesis 11:16-26). Mas, embora Héber seja de uma geração tão anterior a Abraham, quando Abraham morreu, Héber ainda estava vivo.


b) Os descendentes de Abraham eram identificados como hebreus:

Esses textos são alguns dos que confirmam que Abraham e sua descendência são chamados de hebreus:

“Então veio um, que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu; ele habitava junto dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmão de Escol, e irmão de Aner; eles eram confederados de Abrão.” Gênesis 14:13
“Então falou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: Veio a mim o servo hebreu, que nos trouxeste, para escarnecer de mim;” Gênesis 39:17
“Porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tampouco aqui nada tenho feito para que me pusessem nesta cova.” Gênesis 40:15
 “E abrindo-a, viu ao menino e eis que o menino chorava; e moveu-se de compaixão dele, e disse: Dos meninos dos hebreus é este.” Êxodo 2:6
“E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto: Por que feres a teu próximo?” Êxodo 2:13
“Depois o SENHOR disse a Moisés: Vai a Faraó, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.” Êxodo 9:1


c) Os descendentes de Abraham falavam uma língua diferente dos egípcios:

Quando os irmãos de José vão até o Egito comprar comida, eles são acompanhados diante do governador por intérpretes. Essa é a prova de que os hebreus já tinham uma língua própria, ou, pelo menos, diferente da língua dos egípcios:

“E eles não sabiam que José os entendia, porque havia intérprete entre eles.” Gênesis 42:23

Semitas (pessoas brancas) chegando ao Egito (pessoas negras).


d) Um código que tenha dado origem ao hebraico atual:

Há um “fake news” sendo espalhado que Moisés não teria condições de escrever, porque em sua época não havia o alfabeto hebraico . Porém, a arqueologia tem provado que muito antes de Moisés havia um código sendo utilizado em Canaã e no território egípcio que, mais tarde, originou o hebraico. Vamos citar aqui apenas um dos achados, e o principal deles:

Em Serabit el-Khadem no Sinai foi encontrado inscrições com o alfabeto chamado de escrita semítica, ou proto-sinaítico, ou proto-cananeu, datado de cerca de 1900 a.C. composto por 23 sinais. O chamado princípio acrofônico afirma que estes símbolos tem origem nos hieróglifos egípcios, porém, com um valor fonético (som, fala) semita. Acredita-se que estes sinais semíticos influenciaram o alfabeto fenício (atuais Síria, Líbano e norte de Israel) datado de 1500 a.C. constituído de 22 sinais, e também o atual alfabeto hebraico e o grego.


Moisés pode ter tido contato com esse alfabeto semítico, por exemplo, tanto nos 40 primeiros anos que passou no Egito, quanto no período de 40 anos que morou em Midiã, pela instrução do sacerdote Jetro, seu sogro (Êxodo 2:15-22; 3:1; 18:1-27).

Foi justamente neste território onde a Arqueologia achou os escritos semíticos que Moisés apascentava as ovelhas de Jetro e, mais tarde, por onde passou com Israel.

Veja as comparações entre esse alfabeto antigo e o hebraico atual:




III. As Escrituras Sagradas confirmam que o próprio Moisés escrevia:

* A própria Torah confirma que o próprio Moisés escrevia:

“Então disse o Senhor a Moisés: ‘Escreve isto para memória num livro’… ” Êxodo 17:14
“E Moisés escreveu todas as palavras do Senhor” Êxodo 24:4
“Disse mais o Senhor a Moisés: ‘Escreve estas palavras’ … ” Êxodo 34:27
“E escreveu Moisés as suas saídas, segundo as suas jornadas, conforme ao mandado do Senhor...” Números 33:2
“E Moisés escreveu esta lei, e a deu aos sacerdotes...” Deuteronômio 31:9
“Assim Moisés escreveu este cântico naquele dia, e o ensinou...” Deuteronômio 31:22
“E aconteceu que, acabando Moisés de escrever num livro...” Deuteronômio 31:24

Esses versículos acima são bem claros, confirmando que Moisés escreveu, correto?


* Jesus deixa claro que Moisés escreveu:

“Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito.” João 5:46

Jesus teria mentido quando afirmou que Moisés escreveu? Creio que não, né? Rs


* Os contemporâneos de Jesus e apóstolos afirmaram que Moisés escreveu:

“Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu irmão.” Marcos 12:19 “Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José.” João 1:45
“Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela.” Romanos 10:5

Esses onze versículos acima deixam bem claro que Moisés escreveu, sim. Não temos do que duvidar sobre todas essas afirmações.





IV. O RESTANTE DAS ESCRITURAS CONFIRMAM QUE A TORAH FOI ESCRITA POR MOISÉS

Os cinco primeiros rolos (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) unidos são chamados pelas Escrituras de a “Torah de Moisés”. Só por esta designação já se confirma a responsabilidade de Moisés sobre os cinco registros. Vejamos os exemplos:

* Muitos textos bíblicos do Tanach (o chamado Antigo Testamento) atribuem a escrita da Torah por Moisés.

Leia cada um dos versículos abaixo e perceba a “Lei” associada a Moisés (“Lei de Moisés”):
Josué 1:7,8; 8:31,32; 23:6; Juízes 3:4; I Reis 2:3; II Reis 14:6; 23:25; II Crônicas 23:18; 25:4; 30:16; 33:8; 34:14; 35:12; Esdras 3:2; 6:18; 7:6; Neemias 8:1,14; 9:14; 10:29; 13:1; Daniel 9:11,13; Malaquias 4:4


* Várias vezes o próprio Jesus atribui citações da Torah a Moisés:

Mateus 8:4; 19:8; 22:24; Marcos 1:44; 7:10; 10:3; 12:26; Lucas 5:14; 16:29,31; 20:37; 24:27,44


* Os contemporâneos de Jesus atribuíam a Moisés as orientações da Torah:

- Os fariseus (Mateus 19:7; Marcos 10:4; João 8:5; Atos 15:5);
- Os Saduceus (Mateus 22:24; Marcos 12:19; Lucas 20:28);
- Os discípulos e apóstolos de Jesus (Lucas 2:22; João 1:17,45; Atos 13:39; 15:21; 21:21; 28:23; I Coríntios 9:9; II Coríntios 3:15; Hebreus 9:19; 10:28)
Somando todos versículos que citam a “Lei de Moisés”, temos cerca de 57 passagens em todas as Escrituras confirmando o fato de que, sim, Moisés é o escritor dos cinco primeiros livros da Bíblia.




V. A TRADIÇÃO CONFIRMA QUE A TORAH FOI ESCRITA POR MOISÉS

Esse tópico tem menos peso que as passagens citadas acima, mas também podem ser utilizadas para confirmar a crença geral de que Moisés tenha escrito a Torah:

* Antigos escritores judeus afirmaram que Moisés escreveu a Torah:

- O Eclesiástico de Ben Siraque 24:23, escrito por volta de 180 a.C., afirma: “Isso tudo é o livro da aliança do Deus Altíssimo, a lei que Moisés baixou para ser a herança das assembleias de Jacó.”
- O Talmude (Baba Bathra 14b), um comentário judaico sobre o Tanach, em cerca de 200 a.C., atribui a Torah a Moisés.
- Mishnah (Pirq Aboth, I,1), uma interpretação e legislação rabínica, que data de cerca de 100 a.C., atribui a Torah a Moisés.
- Filo de Alexandria, Egito, um filósofo judeu, que viveu por volta de 20 a.C. a 42 A.D. (Vita Moisis II 51) afirma: “Porém... contarei a história de Moisés conforme a aprendi, tanto através dos livros sagrados, os admiráveis monumentos de sua sabedoria, que deixou após ele, como através de alguns anciãos da nossa nação.”
- Flávio Josefo, um historiador judeu, que viveu por volta de 37-70 A.D. (Antiguidades IV 8,48)


* A maioria dos sucessores dos apóstolos aceitava a autoria Mosaica:

- Junílio um oficial imperial da corte de Justiniano I, imperador bizantino em 527 – 565, defendeu o escrito mosaico da Torah, segundo pode ser visto em seu diálogo com um de seus discípulos, registrado em De Partibus Divinae Legis:
Acerca dos Escritores dos Livros Divinos:
Discípulo: Como você sabe quem foram os escritores dos livros divinos?
Mestre: De três maneiras. Ou por meio dos títulos e prefácios... ou através somente dos títulos... ou através da tradição dos antigos, pois se acredita que Moisés escreveu os cinco primeiros livros da história; embora o título não diga tal coisa, e nem ele mesmo tenha escrito, ‘o Senhor falou comigo’, ele escreveu que ‘disse o Senhor a Moisés.’ “

- Leôncio de Bizâncio (século VI), declarou em seu tratado intitulado Contra Nestorianos:
“Quanto a esses cinco livros, todos dão testemunho de que eles são (obra) de Moisés.”

- Melito, bispo de Sardes (ano 175), em sua lista do cânon do Tanach, reconhece Moisés como escritor da Torah

- Cirilo de Jerusalém (348 – 386), em sua lista do cânon do Tanach, reconhece Moisés como escritor da Torah

- Hilário (366), em sua lista do cânon do Tanach, reconhece Moisés como escritor da Torah

- Rufino (410), em sua lista do cânon do Tanach, reconhece Moisés como escritor da Torah

- Agostinho (430), em sua lista do cânon do Tanach, reconhece Moisés como escritor da Torah




VI. MOISÉS ESCREVEU O LIVRO DE GÊNESIS?

Muitos questionamos surgiram sobre Moisés ter escrito o livro de Gênesis. Porém, como mostramos acima, quase 60 versículos das Escrituras Sagradas atribuem a escrita da Torah a Moisés, e não faz sentido excluir o livro de Gênesis da relação de sua composição.
O Tanach (Antigo Testamento) quando unido, foi organizado em três partes: Lei de Moisés, Profetas e Escritos. Podemos confirmar isso através de um texto antigo, de pelo menos 100 a.C., e também pelas palavras de Jesus:
“Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei, pelos Profetas, e por outros Escritos que se lhes seguiram... Foi por isso que Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com afinco ao estudo da Lei, dos Profetas e dos outros Livros dos nossos antepassados, e tendo adquirido neles uma grande ciência, quis também escrever alguma coisa de instrução e de sabedoria, a fim de que as pessoas desejosas de aprender, familiarizando-se com essas coisas, pudessem progredir ainda mais em viver segundo a Lei...” Prólogo do tradutor grego do livro Eclesiástico (Sirácida)
“E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos. Então, abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras.” Lucas 24:44,45
Tanto em uma citação como a outra a “Lei” ou a “Lei de Moisés” contempla os cinco primeiros livros. Isso fica claro, quando o historiador judeu Flávio Josefo no ano 95, cita a quantidade de rolos: 05 livros da Moisés em Contra Apião I, 8:
“... são justamente acreditados como sendo divinos; e deles, cinco pertencem a Moisés...”

Para fechar esta questão, confirmando se Moisés escreveu o Gênesis, observe os comentários de Jesus:
“Não vos deu Moisés a lei? Contudo, ninguém dentre vós a observa. Por que procurais matar-me? Respondeu a multidão: Tens demônio. Quem é que procura matar-te? Replicou-lhes Jesus: Um só feito realizei, e todos vos admirais. Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (se bem que ela não vem dele, mas dos patriarcas), no sábado circuncidais um homem. E, se o homem pode ser circuncidado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, por que vos indignais contra mim, pelo fato de eu ter curado, num sábado, ao todo, um homem?” João 7:19-23
O próprio Jesus diz que Moisés deu aos judeus a “Lei” e a “circuncisão”. Entretanto, esse ritual é ordenado primeiramente justamente no livro de Gênesis (capítulo 17).




VII. MOISÉS PODE TER UTILIZADO TRADIÇÕES ORAIS PARA ESCREVER O GÊNESIS?

A passagem bíblica acima diz que “... Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais)...” João 7:22
Mas, por que Jesus fala que Moisés deu a circuncisão aos israelitas, sendo que a circuncisão era “dos pais”? Isso se explica pelo fato que Moisés escreveu o que Deus havia ordenado a Abraham. Abraham passou a instrução ao seu filho Isaque. Isaque passou para seu filho Jacó. Jacó passou para seus filhos. E os filhos de Jacó passaram para seus filhos até chegar a Moisés, que escreveu.

A questão é que a tradição oral passando de geração a geração, pode gerar alterações no relato. E se pensarmos nas histórias de Adam até Moisés, teremos 26 gerações. Confira os nomes abaixo seguindo as genealogias de Gênesis 5:1-32; 11:10-27; 21:3; 25:21-26; Êxodo 6:16-20:

Adam > Sete > Enos > Cainã > Maaleel > Jarede > Enoque > Matusalém > Lameque > Noé > Sem > Arfaxade > Salá > Héber > Pelegue > Reú > Serugue > Naor > Terá > Abraham > Isaque > Jacó > Levi > Coate > Anrão > Moisés

Ao pensar nesses 26 nomes acima, alguém pode pensar em uma tradição oral que pode ter gerado um telefone sem fio, e que até chegar a Moisés, as histórias poderiam ter se distorcido muito. Porém, ao pensarmos na idade desses homens e calcular de modo a identificar aqueles que foram contemporâneos, reduzimos de 26 para apenas 06 gerações. Abaixo citamos um exemplo:

Adam (0 a 930) > Lameque (874 a 1.651) > Sem (1.558 a 2.156) > Isaque (2.108 a 2.288) > José (2.259 a 2.369), que entrou com Levi e Coate no Egito (Gênesis 46:11) > Moisés

Sendo assim, se os fatos de Gênesis fossem passados apenas de forma oral, não teriam tantas gerações assim, e os vários personagens contemporâneos uns dos outros poderiam confirmar as verdades e desmentir os erros. Por exemplo, Sem viveu até os dias de Isaque.

Cinco gerações: trisavó, bisavó, avó, mãe, filha, todas vivas, com muita saúde, segundo a notícia.



VIII. MOISÉS PODE TER USADO FONTES?

Obviamente que Moisés tinha à sua disposição diversas tradições orais acerca do Gênesis e de outros acontecimentos que vinham sendo transmitidos de geração em geração e, quem sabe, poderia até mesmo ter tipo fontes escritas sobre os relatos ali mencionados. Vejamos:

“Pelo que se diz no Livro das Guerras do Senhor:...” Números 21:14

Não conhecemos esse “Livro das Guerras do Senhor”. Sendo assim, o próprio Moisés confirma que havia outros livros que não fizeram parte do cânon das Escrituras (ou seja, da relação de livros que estão na Bíblia) e ele faz uma citação desse livro. Em Gênesis, portanto, Moisés pode ter tido um papel de organizador dos fatos, de acordo com a vontade de Deus, como o foi Lucas, por exemplo:

“Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.” Lucas 1:1-4

Tem sido observado que o livro de Gênesis é estruturado em secções divididas pela fórmula “toledot” (estas são as gerações de), que aparecem 11 vezes. Toledot, em hebraico, é traduzido “gerações” ou “história”, ou ainda “origem”. Vejamos:

“Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados...” Gênesis 2:4
“Este é o livro da genealogia de Adão...” Gênesis 5:1
“Eis a história de Noé...” Gênesis 6:9
“São estas as gerações dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé...” Gênesis 10:1
“São estas as famílias dos filhos de Noé, segundo as suas gerações...” Gênesis 10:32
“São estas as gerações de Sem...” Gênesis 11:10
“São estas as gerações de Tera...” Gênesis 11:27
“São estas as gerações de Ismael, filho de Abraão...” Gênesis 25:12
“São estas as gerações de Isaque, filho de Abraão...” Gênesis 25:19
“São estes os descendentes de Esaú, que é Edom.” Gênesis 36:1
“Esta é a história de Jacó...” Gênesis 37:2

Tem sido considerado que estas fórmulas “toledot” introduzem uma secção. A maior parte das tabuinhas de argila mesopotâmicas tinha uma espécie de “ficha técnica”, uma assinatura, que identificava o autor da tabuinha através de uma árvore ou referência genealógica, colocada no final do texto, um cólofon (“nota final de um texto ou livro”). No caso de múltiplas tabuinhas sequenciais, havia uma frase que conectava uma tabuinha com a outra a seguir. Muitos destes registos eram histórias sobre as origens familiares, ou seja, o cólofon das tabuinhas de barro mesopotâmicas apresenta semelhanças com a fórmula “toledot” utilizadas no Gênesis. 
Ou seja, o livro de Gênesis poderia consistir numa sequência de tabuinhas, cada uma escrita por uma testemunha ocular dos eventos nelas descritos. Estas tabuinhas teriam sido finalmente compiladas por Moisés, com a direção do Senhor.

É importante deixar claro que essa ideia é bem diferente das diversas teorias das fontes totalmente inventadas e completamente comprometidas com suposições e preconceitos forçados com o único objetivo de colocar o registro da Torah para muitos séculos depois que ele foi verdadeiramente escrito.
Tentar desfragmentar os textos bíblicos, procurando passagens que chamam Deus de Elohym e dizer que são de fontes de épocas diferentes que chamam Deus de YHWH, e ainda outras mais tarde ainda que o chamam de Elohym YHWH, tornam as passagens sem sentido algum.
Além disso, não há prova alguma nos textos da Torah sobre as diferenças de época entre os relatos, não há prova alguma na arqueologia, nem menção alguma sobre isso nos registros de judeus e cristãos do passado.
Até porque as chamadas “parelhas”, como Gênesis 1 e 2, são comuns no hebraico. Geralmente uma descrição geral é dada, seguida por um relato específico. Em Gênesis 1 Deus explica a sequência do que fez em cada dia até criar Adam. Já em Gênesis 2 Deus apresenta mais detalhes sobre como criou Adam e o que ocorreu após isso. Essa forma de contar a história pode ter sido uma maneira de acentuar as verdades ou auxiliar a memória oral.




IX. ENTÃO, MOISÉS SÓ COPIOU E COLOU?

Mesmo que Moisés tenha se utilizado de fontes orais ou escritas, ele não simplesmente copiou e colou, mas sim, recebeu orientações do Senhor sobre o que escrever, que palavras usar, que sequência seguir etc. Até porque nenhum ser humano foi testemunha do que ocorreu principalmente nos primeiros capítulos que revelam a criação.
Veja o que as próprias Escrituras dizem sobre o registro da Torah de Moisés:

“É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir... vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes.”  Atos 7:38
“Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.” Gálatas 3:19
“Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo,” Hebreus 2:2

Como podemos perceber acima, quem transmitiu a Moisés as orientações que ele registrou na Torah foram os próprios anjos de Deus.
Vejamos mais alguns textos que falam sobre a inspiração ao registrar as Escrituras:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,” II Timóteo 3:16
“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” II Pedro 1:20,21

Sendo assim, confirmamos que Moisés só incluiu na Palavra de Deus aquilo que o próprio Senhor confirmava para ele registrar.

Em Gênesis 36:31, lemos: “Estes foram os reis que reinaram no território de Edom antes de haver rei entre os israelitas”.
Perceba que o texto faz referência à monarquia de Israel. Então essa lista de reis parece ter sido um complemento acrescentado após a época de Saul. De qualquer forma, Deus é o grande autor do livro de Gênesis. Ele cuidou de cada detalhe para que hoje tivéssemos esse livro da forma em que ele se encontra.
Então fica a pergunta: Como Moisés poderia ter falado sobre “reis israelitas” se estes só vieram a existir mais de 400 anos depois dele? (1 Rs 6:1)
Entretanto, em Gênesis 17:15-16 o próprio Deus já afirma a Abraão que surgiriam reis de sua descendência, assim como fala o mesmo para Jacó em 35:11. Além disso, em Gênesis 49:10 Deus aponta o futuro reino da tribo de Judá.
Além disso, o próprio Moisés em Deuteronômio 17:14-15 já havia predito, por revelação divina, exatamente o que aconteceu em I Samuel 8, que foi o pedido de um rei humano sobre os israelitas, como era com as outras nações. Logo, tendo Moisés conhecimento de que haveriam reis futuramente em Israel (pois o próprio DEUS havia afirmado), ele poderia escrever com toda segurança “E estes são os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei algum sobre os filhos de Israel.”

É assim que se encerra a Torah, elogiando a vida de Moisés, o escriba profético através do qual Deus trabalhou:

“E nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecera face a face; nem semelhante em todos os sinais e maravilhas, que o Senhor o enviou para fazer na terra do Egito, a Faraó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra. E em toda a mão forte, e em todo o grande espanto, que praticou Moisés aos olhos de todo o Israel.” Deuteronômio 34:10-12




X. QUEM TERMINOU A TORAH?

“Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda.” Êxodo 33:11

Josué era servo de Moisés, seu fiel seguidor que o sucedeu após sua morte, como foi revelado em Números e confirmado no livro que damos o nome de Josué:

“Então falou Moisés ao Senhor, dizendo: O Senhor, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação, que saia diante deles, e que entre diante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar; para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não têm pastor. Então disse o Senhor a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe a tua mão sobre ele. E apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação, e dá-lhe as tuas ordens na presença deles. E põe sobre ele da tua glória, para que lhe obedeça toda a congregação dos filhos de Israel.” Números 27:15-20

“E sucedeu depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, que o SENHOR falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo... como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei.” Josué 1:1-5

Um fato muito interessante e importante é que Josué é orientado pelo Senhor a continuar escrevendo e incluir os seus registros no “livro da Lei de Deus”, ou seja, ele prosseguiu o trabalho de Moisés:

“Josué escreveu estas palavras no livro da Lei de Deus; tomou uma grande pedra e a erigiu ali debaixo do carvalho que estava em lugar santo do SENHOR.” Josué 24:26


Aqui, como em outros estudos, priorizamos sempre o que está registrado nas Escrituras Sagradas. Infelizmente hoje existem pessoas ensinando o contrário do que na Bíblia está escrito. Eu creio que Moisés escreveu o Gênesis e toda a Torah, não porque eu sinto, ou porque acho, mas porque a própria Palavra de Deus assim afirma.
Moisés tinha a educação necessária para escrever (foi educado com todo o conhecimento do Egito), o material necessário (o papiro era retirado do rio Nilo), a tradição necessária (seus antepassados preservaram a história), a familiaridade com a geografia (ele conhecia tanto o Egito quanto os arredores de Canaã), a motivação necessária (ele precisou prover os alicerces morais e espirituais para a nova nação), o tempo necessário (ele passou 40 anos com o povo no deserto), gente necessária (estava cercado de muitas pessoas habilitadas para auxiliá-lo na escrita e cópia dos registros) e o Deus absoluto (que o guiou a escrever).
Em uma época em que escravos egípcios que trabalhavam nas minas de turquesa no Sinai e gravavam seus registros nas paredes dos túneis, como apresentamos no início desse estudo, é inconcebível que um homem com a formação de Moisés não pudesse registrar os pormenores das épocas mais significativas do seu povo.