14 abril 2026

GENEALOGIAS DE JESUS


Segue abaixo as duas genealogias de Jesus. Uma com os nomes que aparecem no Evangelho que Lucas escreveu e outra com os nomes que aparecem no Evangelho que Mateus escreveu. A ideia desse estudo é extrair alguns ricos aprendizados que esses textos trazem:


 Árvore Genealógica de Jesus


Genealogia de Lucas 

Genealogia de Mateus

1. Deus

2. Adão

3. Sete

4. Enos

5. Cainã

6. Maalalel

7. Jarede

8. Enoque

9. Matusalém

10. Lameque

11. Noé

12. Sem

13. Arfaxade

14. Salá (Cainã II omitido aqui)

15. Éber

16. Pelegue

17. Reú

18. Serugue

19. Naor

20. Terá


Abraão

 Isaque

Jacó

24. Judá

4. Judá (e Tamar)

Perez

Esrom

Arni (ou Ram)

Aminadabe

Naassom

30. Salmom

10. Salmom (e Raabe)

31. Boaz

11. Boaz (e Rute)

Obede

Jessé

34. Davi

14. Davi (e Bate-Seba)

35. Natã

36. Matatá

37. Mená

38. Meleá

39. Eliaquim

40. Jonã

41. José

42. Judá

43. Simeão

44. Levi

45. Matat

46. Jorim

47. Eliézer

48. Josué

49. Er

50. Elmadam

51. Cosam

52. Adi

53. Melqui

54. Neri

55. Salatiel

56. Zorobabel

57. Resa

58. Joanã

59. Jodá

60. Joseque

61. Semei

62. Matatias

63. Maate

64. Nagai

65. Esli

15. Salomão

16. Roboão

17. Abias

18. Asa

19. Josafá

20. Jorão

21. Acazias (Omitido em Mt)

22. Joás (Omitido em Mt)

23. Amasias (Omitido em Mt)

24. Uzias

25. Jotão

26. Acaz

27. Ezequias

28. Manassés

29. Amom

30. Josias

31. Jeoaquim (Omitido em Mt)

32. Jeconias

33. Salatiel

34. Zorobabel

35. Abiúde

36. Eliaquim

37. Azor

38. Sadoque

39. Aquim

40. Eliúde

41. Eleazar

42. Matã

43. Jacó

66. Naum

67. Amós

68. Matatias

69. José

70. Janai

71. Melqui

72. Levi

73. Matat

74. Heli


75. José

76. Jesus

44. José

45. Jesus (filho de Maria)






Principais Peculiaridades das Genealogias de Mateus e Lucas


1. Não são apenas históricas: são teológicas


Enquanto muitas genealogias do chamado Antigo Testamento (como em Gênesis ou I Crônicas) focam em registrar descendência, Mateus e Lucas organizam seus registros para transmitir verdades espirituais:


“Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” Mateus 1:1


* Mateus quer provar que Jesus é o Messias prometido aos judeus. Ele começa em Abraão, o pai da nação de Israel, para enfatizar a aliança divina com o povo de Israel, e destaca Davi, o grande rei de Israel que é um símbolo do Messias.

Jesus, portanto, é o Messias prometido, o parente próximo que pode devolver a terra e as bênçãos ao Seu povo Israel.


“Quando teu irmão empobrecer e vender alguma parte da sua possessão, então virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão.” Levítico 25:25


“E se o estrangeiro ou peregrino que está contigo alcançar riqueza, e teu irmão, que está com ele, empobrecer, e vender-se ao estrangeiro ou peregrino que está contigo, ou a alguém da família do estrangeiro, depois que se houver vendido, haverá resgate para ele; um de seus irmãos o poderá resgatar;” Levítico 25:47,48




“E este mesmo Jesus… sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli,... e Cainã de Enos, e Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão de Deus.” Lucas 3:23,38


* Lucas quer mostrar que Jesus é o Salvador de toda a humanidade. Ele vai até Adam e mostra que Jesus está ligado a toda a raça humana. E ainda chama Adam de “filho de Deus”, indicando um paralelo com Jesus.

Adam rejeitou a bênção da primogenitura, mas Jesus é o filho da promessa que tem direito a esta bênção ao se tornar o primogênito dentre os mortos, e o único capaz de resgatar o planeta das mãos de Satan.


“Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.” Romanos 9:8


Ou seja, há intenção teológica por trás da seleção e organização dos nomes.




2. Direções opostas (descendente vs ascendente)


* Evangelho de Mateus: começa em Abraão e vai até Jesus (descendente).

* Evangelho de Lucas: começa em Jesus e volta até Adam (ascendente).


Isso revela o foco: Enquanto Mateus está ligado à história de Israel, Lucas pensa em toda a história da humanidade.


Papias de Hierápolis (c. 60–130 d.C.), um discípulo do "Presbítero João" e companheiro de Policarpo (que, por sua vez, também fora instruído pelo próprio Apóstolo João) disse que “Mateus reuniu, de forma ordenada, na língua hebraica, as sentenças e cada um as interpretava conforme sua capacidade”. Eusébio, História Eclesiástica III Capítulo 39.16 Confirmando isso, Irineu de Lyon (c. 130–202 d.C.), discípulo de Policarpo de Esmirna, que foi discípulo do Apóstolo João, afirmou que “Mateus compôs seu evangelho entre os hebreus em sua própria língua...” Capítulo 1; PG 7:844 Mateus escreveu ao povo de Israel, teoricamente conhecedor das profecias do chamado Antigo Testamento. Por isso, o tempo todo ele invoca essas promessas ao usar a fórmula “para que se cumprisse o que disse o profeta” principalmente no início do evangelho (capítulos 1–2) e espalha, ao longo da narrativa, mais de 10 vezes, tal expressão. No final (cap. 26–27) usa formas mais gerais, tais como “para que se cumprissem as Escrituras” ou “importa que se cumpra…” Isso mostra que Mateus não queria apenas listar profecias cumpridas, mas construir a ideia de que toda a vida de Jesus Cristo está debaixo de um plano profético já anunciado. Todo o evangelho é o cumprimento das Escrituras:

"Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus conosco." Mateus 1:22-23


“Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.” Mateus 26:56


Quanto à genealogia, assim como a listagem de Mateus, quase todas as descrições de linhagens das famílias do chamado Antigo Testamento são descendentes. As exceções são as seguintes: Esdras 7:1–5; I Crônicas 6:33–38; I Crônicas 6:44–47; I Crônicas 9:14–16. O detalhe entre essas quatro listas são que todas elas apontam para um grupo sacerdotal. Ligam o personagem principal à família levítica e/ou à pessoa de Arão. Se há alguma intencionalidade nisso, Lucas não está apontando Jesus como sacerdote levítico (pois Ele não é descendente de Arão, nem da tribo de Levi), mas como o Filho de Deus e sacerdote representante de toda a humanidade, com autoridade universal, ao ligá-lo a Adão e ao próprio Deus.



3. Estrutura cuidadosamente organizada (Mateus)


“De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações.” Mateus 1:17


Para reforçar o valor de Abraão e de Davi, e para ligá-los ao Senhor Jesus, Mateus organiza sua genealogia em três grupos de 14 gerações:

1. De Abraão até Davi

2. De Davi até o exílio na Babilônia

3. Do exílio até Jesus

Essa estrutura numérica intencional no capítulo 1 do Evangelho que Mateus escreveu ainda não é clara. O número 14 na Bíblia está ligado ao dia em que o Cordeiro Pascoal era sacrificado (Êxodo 12), porém não há indícios desta ligação ali.


Em toda a Bíblia, os números são utilizados para transmitir alguma verdade profética. Até porque, tanto no hebraico quanto no grego, as línguas originais da Bíblia, não existiam algarismos. As próprias letras do alfabeto representavam números. Portanto, para os escritores bíblicos e seus leitores, a ideia de que uma letra possui valor numérico era algo natural. Sendo assim, há quem defenda que o número 14 pode representar 7 + 7, ou seja, duas vezes o número pleno (perfeito) que se repete em toda a Bíblia, ou há quem acredite que possa estar relacionado ao nome de Davi, que em hebraico soma esse valor numérico. O nome Davi (דוד — David) é formado por três letras: ד (Dalet), que tem o valor de 4 / ו (Vav), que tem o valor de 6 / e a repetição de ד (Dalet), que tem o valor de 4. Somando, fica: 4 + 6 + 4 = 14.


"O Senhor jurou a Davi com verdade, e não se desviará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono." Salmos 132:11


“Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta; porque é número de homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.” Apocalipse 13:18


A expressão “calcule o número” convida o leitor a decifrá-lo. Esse é o exemplo mais direto de um uso semelhante a esse tipo de cálculo. Porém hoje, o exagero disso seria fazer previsões, inventar códigos secretos e tirar conclusões sem base bíblica. A prática de se fazer esse tipo de cálculo não é uma prática comumente cristã, mas, caso seja isso, Mateus estaria reforçando a ligação entre Davi e Jesus. Ainda que Jesus não seja descendente do rei Salomão, tem o sangue real de Davi.



4. Inclusão de mulheres em Mateus (algo raro!)


A genealogia apresentada no Evangelho de Mateus capítulo 1 possui uma característica marcante e pouco comum: a inclusão de mulheres. Em um contexto judaico antigo, isso chama muita atenção, pois as genealogias bíblicas eram quase sempre registradas apenas por meio dos homens, seguindo a linha patriarcal (“fulano gerou beltrano”). A função dessas listas era preservar herança, identidade tribal e direitos legais, e isso era transmitido oficialmente pelos homens.

Por isso, o fato de Mateus mencionar mulheres não é um detalhe casual, mas uma escolha intencional, com forte significado teológico.


As mulheres citadas são:

1. Tamar: aparece em Gênesis 38. Ela se disfarça de prostituta para garantir descendência dentro da família de Judá, em uma situação complexa que envolve justiça familiar e falha moral dos homens ao seu redor. Apesar do contexto difícil, ela é incluída na linhagem messiânica.




2. Raabe: mencionada em Josué 2, era uma prostituta em Jericó, uma cidade pagã. Ainda assim, ela demonstra fé no Deus de Israel e é preservada, sendo posteriormente integrada ao povo de Deus e à linhagem do Messias.




3. Rute: era moabita, ou seja, estrangeira, conforme o livro de Rute. Mesmo vindo de um povo fora da aliança, ela demonstra fidelidade, fé e compromisso com o Deus de Israel, tornando-se bisavó de Davi.




4. Bate-Seba: não é citada diretamente pelo nome, mas como “a mulher de Urias”, em referência ao episódio registrado em II Samuel 11. Sua história está ligada ao pecado de Davi, adultério e injustiça, mas ainda assim ela faz parte da linhagem real.




5. Maria: aparece como o ponto culminante da genealogia. Diferente das outras, não está associada a escândalo moral, mas a uma situação extraordinária: a concepção virginal. Mateus altera o padrão da genealogia ao dizer que Jesus nasceu de Maria, e não que José “gerou” Jesus, destacando assim a intervenção direta de Deus.




“E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom… e Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé; E Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias… E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo.” Mateus 1:3-6,16


Essa lista considerada de “pecadoras” revela um dos temas centrais do evangelho: a graça de Deus. A genealogia mostra que Deus não trabalha apenas com pessoas “perfeitas” ou dentro de padrões humanos. Ele age através de histórias imperfeitas, circunstâncias difíceis e pessoas improváveis para cumprir Seus propósitos.



5. Ligação com momentos-chave da história


No Evangelho de Mateus, a genealogia de Jesus não é apresentada apenas como uma lista de nomes, mas como uma estrutura cuidadosamente organizada que reflete a própria história de Israel. Mateus divide essa genealogia em três grandes momentos, cada um marcado por um evento fundamental na trajetória dos hebreus.


1. Promessa a Abraão (Gênesis 12–25), cerca de 2000 a.C.: Esse é o ponto de origem da nação de Israel, quando Deus estabelece uma aliança e promete formar um povo, abençoar todas as nações e levantar uma descendência especial. A partir de Abraão, a genealogia mostra o início do cumprimento dessa promessa, destacando o surgimento do povo escolhido.




2. Reinado de Davi (I Samuel 16 – II Samuel 24; I Crônicas 11 – 29), por volta de 1000 a.C. Davi representa o estabelecimento do reino e a consolidação da identidade nacional de Israel. Além disso, é a Davi que Deus promete um trono eterno, o que gera a expectativa messiânica de um rei que governaria para sempre.




3. Exílio na Babilônia (II Reis 24 – 25; Jeremias 1 – 52; Esdras 1 – 6), aproximadamente entre 605 a.C. e 586 a.C.: Um tempo de crise, disciplina e aparente ruptura das promessas. Nesse estágio, o povo perde sua terra, seu rei e sua autonomia. No entanto, a genealogia continua, mostrando que, mesmo em meio ao juízo e à dispersão, Deus não abandona seu plano.




Dessa forma, Mateus organiza a genealogia como se fosse uma narrativa em três atos: a promessa, o auge do reino e a crise do exílio. Essa estrutura não apenas facilita a compreensão, mas também transmite uma mensagem teológica profunda: apesar dos altos e baixos da história, o plano de Deus permanece firme e culmina em Jesus Cristo, como o cumprimento final de todas essas etapas.



6. Lucas conecta Jesus diretamente a Deus


Lucas termina com: “Adão, filho de Deus”. Isso monta uma linha direta entre: Deus → Adão → humanidade → Jesus. 

A comparação entre Jesus Cristo e Adão é um dos temas mais importantes do chamado Novo Testamento. Essa relação aparece de forma mais clara em alguns textos específicos, que mostram Jesus como o “último Adão”, em contraste com o primeiro. Abaixo estão os principais textos relacionados a este tema:


"...Adão, o qual é figura daquele que havia de vir." Romanos 5:14


"Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram… Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos… Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos." Romanos 5:12,15,18-19


"Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo… Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante… O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu… E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial." I Coríntios 15:21-22,45,47,49


Adam é apresentado como um “tipo” de Jesus Cristo, ou seja, uma figura que antecipa e aponta profeticamente para alguém maior. Adam foi o primeiro representante da humanidade: por meio dele vieram o pecado e a morte, afetando todos os homens. Já Jesus é chamado de “último Adão” porque assume esse mesmo papel representativo, mas de forma perfeita: onde o primeiro falhou, Ele foi obediente. Assim, se em Adão a humanidade caiu, em Cristo ela encontra redenção. Jesus não apenas corrige o erro de Adão, mas inaugura uma nova humanidade restaurada, reconciliada com Deus e plenamente alinhada com a sua vontade.


09 junho 2025

ENSINO BÍBLICO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES


I. Preparando um Legado


A formação de valores e princípios é um dos pilares essenciais para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, a fim de que tenham um futuro promissor em todas as esferas possíveis da vida, e tenham êxito no convívio em sociedade. Ao afirmar isso, não se trata de estimular riquezas, poder, fama ou algo do tipo, mas prepará-los para alcançar um bom potencial naquilo em que cada um foi criado por Deus para viver, de acordo com seus limites e habilidades. Gozar a vida de maneira satisfatória, independente das circunstâncias que estão à sua volta. Isso é a real prosperidade!


E a Palavra de Deus nos ensina que é dever das famílias e da comunidade instruir as novas gerações nos caminhos do Senhor:


“Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez. Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos; Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos;” Salmos 78:3-6


O Salmo acima ressalta a importância de passar às novas gerações as maravilhas de Deus: O ensino bíblico é um compromisso intergeracional. Os feitos de Deus devem ser ensinados para que as futuras gerações ponham a sua confiança no Senhor e não se esqueçam de Seus feitos. Não é correto um grande homem de Deus reter para si somente tudo que ele recebeu de Deus, mas sim, compartilhar, preparando sucessores que continuarão testemunhando do Senhor sobre a terra. Um exemplo disso foi a família do evangelista Timóteo:


“Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti.” II Timóteo 1:5


“E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.” II Timóteo 3:15


O exemplo de Timóteo reforça o poder do ensino bíblico no lar. O apóstolo Paulo reconhece a fé sincera que habitava em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice, e destaca que desde a infância ele aprendeu as sagradas letras, que poderiam fazê=lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Isso mostra como a formação espiritual começa no ambiente familiar e deve ser reforçada por toda a comunidade dos que servem a Deus.





II. Como Fazer?


Deus revelou em Sua Palavra como instruir a próxima geração. Ele deixou claro que não é simplesmente levando uma criança para o culto, muito menos “jogando” ela numa salinha para que elas fiquem apenas desenhando, pintando ou ouvindo canções ditas gospels sem conteúdo bíblico que falam de pinguim, pula pula etc. Ao contrário disso:


“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” Deuteronômio 6:6-9



… Estarão no teu coração…


Na passagem bíblica acima, o Senhor instrui Israel a guardar as Suas palavras no coração, ou seja, tê-la como centro da sua vida, das suas emoções e do seu pensamento e, a partir daí, transmiti-las diligentemente aos filhos. Primeiro viver, depois pregar o que se vive…


“Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor e para cumpri-la e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.” Esdras 7:10



… As ensinarás e delas falarás…


Falar andando, deitando, levantando e assentando mostra que esse ensino deveria acontecer de forma contínua, em todos os momentos do cotidiano. Sendo assim, verbalizar com palavras na linguagem da criança qual o caminho correto a seguir é extremamente importante. Não se deve apenas fazer o correto, mas falar o que é o correto.


“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16:15


“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo. Amém.” Mateus 28:19,20


Quando Jesus determinou a ordem acima, Ele falou para os Seus discípulos pregarem apenas para adultos? As crianças também precisam que a Igreja as ensine? Com certeza que sim! Todas as criaturas estão englobadas as crianças, adolescentes e jovens também. E, na verdade, eles, principalmente, como é possível visualizar nas passagens a seguir:


“Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, e não os impeçais de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.” Mateus 19:14


“E, lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou.” Marcos 9:36,37


O Senhor Jesus demonstrou o imenso valor que dá às crianças. Ele não apenas as acolhe, mas as aponta como exemplo de humildade e pureza. Ao tomar uma criança nos braços e declarar que quem receber uma criança em Seu nome é o mesmo que recebê-Lo, mostra que há um profundo valor espiritual na atenção, cuidado e ensino voltados às crianças.


O ensino bíblico deve abranger todas as faixas etárias, e a formação espiritual de crianças e adolescentes é parte vital da Grande Comissão. Ensinar a guardar tudo o que o Senhor ordenou começa pelo evangelho no lar e se estende ao ensino nas comunidades de fé, por meio de professores, líderes e voluntários.



… Assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te…


A ideia aqui é que o ensino bíblico não se restringe a um momento isolado, mas permeia o viver diário da criança e do adolescente, orientando suas decisões e atitudes desde os primeiros anos de vida. O tempo todo, de forma constante!


“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.” Provérbios 22:6


O ensino da Bíblia desde a infância é também uma forma de guiar a criança para uma vida de retidão. O sábio conselho do rei Salomão em Provérbios nos orienta a ensinar os princípios bíblicos desde cedo. E isso não se trata apenas de um investimento espiritual, mas também social e emocional, pois ajuda a criança a desenvolver caráter, empatia, respeito e temor a Deus. 

Instruir no caminho é diferente de instruir o caminho. Quem instrui o caminho diz: “É por ali. Vai lá!” Já quem instrui no caminho, diz: “É por ali. Vamos juntos que eu te ensino como chegar!” Deu para entender? Instruir no caminho não é deixar a criança ir para um prédio onde a Igreja se reúne. Mas sim, ir com ela e demonstrar como é ser Igreja!

Se o pai e a mãe pede para o filho mentir, dizendo que não está em casa quando o cobrador chega, seu comportamento tende a não ser diferente no futuro. Vai aprender a enganar, inclusive, aos próprios pais. Agora, se os pais oram e lêem as Escrituras diariamente, isso deixará marcas positivas na vida dos filhos para sempre.


Por um longo tempo, minha mãe orava junto com o líder dela pela rádio todos os dias ao meio dia e às 18h da tarde, e até o fim da vida dela, ela orava e lia a Bíblia todos os dias antes de dormir. Lembro da minha irmã ajoelhada na cama orando todos os dias antes de dormir também. Recordo-me da minha avó que até quando podia, mesmo com pouca força andava muito até o seu local de culto. Quando começou a enfraquecer, às vezes até caía no meio do caminho. Mas isso não a deixava de frequentar os cultos. Tanto minha mãe, minha avó e minha tia, muitas vezes me pediam para escrever pedidos de oração para levar a fim de que a Igreja orasse. Mas não foram só exemplos religiosos, mas de caráter de filhas de Deus. A solidariedade quando alguém precisava, o perdão para aqueles que as ofendiam etc. O que você acha que tudo isso gerou em mim? Marcas eternas! 





… Atarás por sinal na mão, e por frontais entre os olhos, as escreverás nos umbrais da casa, e nas portas… 


Atar na mão e nos olhos e escrever na porta revela que o ensino não é só verbal, mas sim, é visual e simbólico. Deus não mandou apenas praticar e falar os mandamentos, mas também demonstrá-los de formas visuais e práticas. Portanto, os objetos, roupas e móveis também precisam, de alguma forma, transmitir mensagens sobre Deus. A ideia é proporcionar um ambiente-formador: a casa ensina, os objetos ensinam e o visual ensina!


Imagina que alguém pinta o muro, tem adesivo na porta, quadros, objetos nos móveis e roupas que fazem referência às Escrituras, porém maltratam os filhos com palavras e ações, dão mal testemunho comprando e não pagando, são avarentos, mexeriqueiros e todo tipo de comportamento social e espiritual reprovável, o que adianta a passagem bíblica colada na parede? Ou, no caso dos adultos serem aparentemente uma bênção na igreja, porém não oram e nem ensinam aos filhos a Palavra de Deus? Entende que tudo precisa ser um conjunto? Uma vez conheci um adolescente que alegou que seu pai, um líder importante na Igreja, nunca tinha orado por ele quando estava doente… Complicado!


Uma vida de fé genuína, que reflete em ações de fé genuína resultam em roupas e objetos que demonstrem essa fé. Jamais apenas esse último, pois, senão, é hipocrisia. Como dizem: As nossas ações falam mais alto que nossas palavras.





Pensando agora em um contexto de Igreja, o uso de sinais nas mãos, frontais nos olhos e inscrições nas portas podem ser também aplicados atualmente com cartazes, ilustrações, figuras, objetos concretos, cores e até dramatizações. Todas essas são maneiras modernas de aplicar esse princípio, mas que remontam a tempos antigos. Os próprios desenhos nas paredes das catacumbas de Roma, as ilustrações nos códices, os quadros, paredes e vitrais antigos com cenas bíblicas, até as atuais alto produções cinematográficas, se forem fiéis às Escrituras, contribuíram e ainda podem colaborar bastante com o ensino da Bíblia.


Deus costumava pedir aos profetas para através de roupas, objetos e ações transmitir a mensagem que Ele queria compartilhar. Abaixo, apenas alguns exemplos disso:


“Sucedeu, ao final de muitos dias, que me disse o Senhor: Levanta-te, vai ao Eufrates, e toma dali o cinto que te ordenei que o escondesses ali. E fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava. Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Assim diz o Senhor: Do mesmo modo farei apodrecer a soberba de Judá, e a muita soberba de Jerusalém.” Jeremias 13:6-9


“Tu, pois, ó filho do homem, toma um tijolo, e pô-lo-ás diante de ti, e grava nele a cidade de Jerusalém. E põe contra ela um cerco, e edifica contra ela uma fortificação, e levanta contra ela uma trincheira, e põe contra ela arraiais, e põe-lhe aríetes em redor. E tu toma uma sertã de ferro, e põe-na por muro de ferro entre ti e a cidade; e dirige para ela o teu rosto, e assim será cercada, e a cercarás; isto servirá de sinal à casa de Israel.” Ezequiel 4:1-3


O próprio Jesus, em Seu contexto, convidava os discípulos para fazer comparações simbólicas com o que eles visualizavam, com os ensinos que Ele queria transmitir:


“Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta… Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam…” Mateus 6:26-28


A pedagogia moderna confirma o que a Bíblia já mostrava: o ser humano aprende melhor com estímulos visuais e interativos. Deus sabia disso ao mandar o povo usar elementos visíveis e constantes, como escrever nas portas ou prender nas mãos. Uma criança que vê todos os dias versículos ilustrados na parede da casa ou na sala da igreja tende a memorizar com mais facilidade. Um recurso como um livro visual com figuras ou dramatizações reforça a conexão emocional com o conteúdo.


Quando Deus manda escrever as palavras nos umbrais da casa e nas portas, está mostrando que o ambiente da criança deve ensinar também. Decoração bíblica nas salas infantis da igreja, materiais com imagens visuais de histórias bíblicas e uso de recursos como fantoches, teatro, painéis e maquetes. 


Lembro dos livros ilustrados (alguns tenho até hoje) que minha mãe comprava na Igreja Universal e eu pintava, as histórias bíblicas em quadrinho da aula de religião da escola sobre o livro de Gênesis. Lembro-me até hoje das cartolinas desenhadas com as letras das canções infantis e versículos nos dias de EBF - Escola Bíblica de Férias, na Igreja Batista Nova Filadélfia da VK, com desenhos do personagem Smilinguido. E, já na adolescência, as cartolinas com desenhos dos móveis do tabernáculo que a professora de EBD Simone Galvão levava.


O ensino multissensorial (ouvir, ver, tocar) facilita a aprendizagem. Portanto, usar recursos visuais como ilustrações, objetos concretos, materiais gráficos e visuais criativos não é modernismo, mas uma forma bíblica e eficaz de comunicar a Palavra de Deus às crianças, exatamente como Deus instruiu Israel.





III. Até que idade ensinar?


Na atualidade, dependendo do tipo de análise, uma criança pode ser aquela até seus 10, 11, 12 ou, no máximo 14 anos. Já a adolescência, pode ser a fase da vida até os 18, 19, 20 ou 24 anos, segundo as diferentes visões:

  • Segundo teóricos tradicionais da Psicologia do Desenvolvimento Humano, a infância vai até aos 11 anos e a adolescência vai até aos 20 anos de idade, aproximadamente. 

Fonte: PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.

  • De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), são consideradas crianças os indivíduos de 0 a 12 anos incompletos e adolescentes aqueles de 12 a 18 anos incompletos. O Código Penal estica um pouco a infância ao definir como vulneráveis aqueles até os 14 anos. A penalidade é aumentada em vários casos em que o crime for cometido contra um menor de 14 anos.

  • Já para a OMS - Organização Mundial da Saúde, a adolescência é a fase da vida entre a infância e a idade adulta, dos 10 aos 19 anos.

Fonte: https://www.who.int/health-topics/adolescent-health/#tab=tab_1

  • Atualmente, há quem defenda que o cérebro só está totalmente formado aos 25 anos, e assim, a definição de adolescência passa a ser considerada de 11 até os 24 anos, segundo a revista científica Lancet Child & Adolescent Health.

Fonte: https://afnoticias.com.br/curiosidades/adolescencia-agora-dura-ate-os-24-anos-entenda-o-porque


Para as Escrituras, o que hoje é chamado de adolescência terminava aos 19 anos, pois a fase adulta iniciava a partir dos 20 anos, quando o homem era considerado apto para servir no exército, ou seja, um adulto para cumprir as responsabilidades civis:


“Da idade de vinte anos para cima, todos os que em Israel podem sair à guerra, a estes contareis segundo os seus exércitos, tu e Arão.” Números 1:3 (ver também Levítico 27:3)


Porém, quando se trata das questões espirituais, o serviço sacerdotal só poderia iniciar aos 30 anos de idade, o que se exigia uma maturidade mais estabelecida:


“Da idade de trinta anos para cima até aos cinquenta anos, será todo aquele que entrar neste serviço, para fazer o trabalho na tenda da congregação.” Números 4:3


Esta é a idade que José começou a governar o Egito (Gênesis 41:46) e Jesus começou o Seu ministério:


“E este mesmo Jesus estava como que começando os trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli,” Lucas 3:23


Sendo assim, o contexto bíblico não foge às análises mais modernas com relação à classificação das fases do desenvolvimento humano. Até os vinte e poucos anos, nossas crianças, adolescentes e jovens precisam ser muito orientados e conduzidos, para se tornarem homens e mulheres que entendam e cumpram da melhor maneira possível o seu papel como ser humano.


Mas recordo que um servo de Deus por nome Mauro, que fora meu líder da época da adolescência por dois anos, e que foi como um pai para mim, mesmo sem ser meu líder oficialmente depois desse período, durante muitos anos continuou me ajudando e me corrigindo quando ele considerava necessário. Quando completei 18 anos, a Igreja me concedeu o cargo de líder de jovens. Foi um grande desafio! Mas quem estava lá para me apoiar? Ele. E como isso foi importante para mim!


E, para falar a verdade, no que se refere a questão espiritual, não há idade física para os que geram filhos na fé... Cada novo discípulo, um bebê gerado que vai precisa aprender a engatinhar, caminhar, andar de bicicleta até aprender a dirigir seu próprio veículo!






III. Ensinar, um Desafio!


“Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino;” Romanos 12:5-7


No corpo de Cristo, cada um recebe dons diferentes. No texto acima o apóstolo Paulo descreve a diversidade de ministérios e a importância de cada função. Ensinar é um desses dons, e quem o faz deve fazê-lo com dedicação. Ensinar a Bíblia a crianças e adolescentes é um ministério essencial, pois prepara o coração para uma vida centrada em Deus.

Ler a lição a ser ministrada no dia da aula, não é um bom exemplo de dedicação. É preciso ler a passagem bíblica a ser ministrada, reler, buscar reforço em dicionários, enciclopédias, comentários bíblicos, preparar recursos visuais, pensar em exemplos práticos para facilitar o entendimento, elaborar dinâmicas para ajudar na compreensão e desafios a serem praticados pelos alunos após a aula. Ufa! Não é fácil ensinar…


Já percebeu alguma vez quando um professor está perdido por ensinar de forma insegura? Quão trágico é quando um docente passa a aula toda lendo o conteúdo da matéria! Não produz interação, não sabe responder nada do que os alunos perguntam, não faz questão de testar o conhecimento dos alunos, até porque ele mesmo não sabe o conteúdo… Tenso!


O desafio de todo mestre é a dedicação ao que vai ser ensinado. Mesmo que se tenha ensinado determinada matéria diversas vezes e saiba tudo de cabeça, cada turma e aluno é diferente. É preciso avaliar o contexto e se adequar a cada realidade. Que desafio!





“E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade,” II Timóteo 2:24,25


O que significa “sofredor”? A palavra traduzida como sofredor nesse texto vem do grego ἀνεξίκακος (anexikakos), que significa alguém paciente no sofrimento, tolerante, capaz de suportar o mal sem revidar, longânimo diante da oposição.

Ou seja, não se trata de "gostar de sofrer", mas de suportar com firmeza e paciência as dificuldades, especialmente no contexto de ensino, correção e discipulado. Ao ensinar, especialmente a quem resiste (como crianças inquietas ou adolescentes em crise), o servo do Senhor precisa ser paciente, tolerante e persistente, sem se irritar, mesmo diante de rejeição ou desinteresse.

Ensinar como Cristo ensinou exige essa mesma postura de sofrer com paciência o processo até que a verdade alcance o coração do outro. Alguns não entenderão de primeira, outros resistirão, haverá comportamentos difíceis e pode haver desinteresse ou até zombaria.

Muitas vezes o professor não terá o apoio da família da criança e do adolescente. Pelo contrário, temos pais que não determinam que o filho aprenda a Palavra (obriga o filho a tomar banho, comer, escovar os dentes, ir para a escola etc. porém, na questão espiritual relaxa. Vou ver se meu filho vai querer ir… Como se a criança não tivesse o raciocínio perfeito para decidir se deve ou não comer, se vestir, tomar um remédio, mas na questão espiritual, deixa à cargo dele. O que pesará mais para uma criança? Ir para o ensino bíblico ou passar o dia todo na rua brincando com os vizinhos? Será que esses pais também perguntam ao filho se eles querem doce ou arroz e feijão? Se querem acordar cedo para ir para escola ou se continuam dormindo? Por que negligenciam tanto a formação do caráter e da espiritualidade da criança e do adolescente? 

Mas o educador é chamado para ser manso, não desistir, insistir com amor e sofrer o processo com paciência, na esperança de que Deus dê arrependimento e entendimento no tempo certo, tanto aos responsáveis quanto aos alunos.


Acima de todas as técnicas pedagógicas, acima de todo conteúdo, está o amor ao ensino e o carinho para com os alunos. O cuidado e acolhimento deixa mais marcas do que qualquer ação!


Por fim, ensinar a Bíblia às crianças e adolescentes não é apenas transmitir informação, mas formar discípulos. É plantar sementes que frutificarão com o tempo, preparando uma nova geração que ame, tema e sirva ao Senhor. Não é sobre preparar pessoas educadas e que façam o bem. Isso será uma consequência como estilo de vida daquele que aprendeu a amar e a servir a Deus.

Em tempos de tantos desafios morais, sociais e espirituais, o ensino bíblico se revela como um alicerce seguro que conduz à verdade, à justiça e à vida eterna. Vamos proclamar!