01 abril 2025

OS LUMINARES PARA DIA E NOITE!



“E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.”

Gênesis 1:14 


Esse texto bíblico apresenta pelo menos quatro objetivos para Deus por os luminares no firmamento:

  1. Para separar a manhã da noite;
  2. Para que sejam sinais da sua aliança com a humanidade por meio de Adam;
  3. Para indicar os tempos determinados (tempos proféticos);
  4. E para determinar os dias e os anos (o calendário).


O objetivo desse texto é apresentar uma análise bíblica e contextual sobre o primeiro desses tópicos.


A SEPARAÇÃO ENTRE A MANHÃ E A NOITE:


Quando se olha para o céu e se percebe o sol nascendo de um lado pela manhã, subindo até o alto no meio e, depois, se pondo do lado oposto, parece que é o sol se movendo, mas, na verdade, é o planeta Terra que está em um movimento sempre com a mesma velocidade em torno do seu próprio eixo. A duração desse giro, chamado de rotação, é de aproximadamente 24 horas para dar uma volta completa. Este movimento sempre ocorre na mesma direção, de oeste para leste, e é o responsável pela ocorrência dos dias e das noites e, pois, enquanto um hemisfério é iluminado, o outro fica sem a luz. A metade do tempo gasto pela Terra em sua rotação (12 horas) corresponde ao período de luz e a outra corresponde ao período escuro. Porém, de acordo com a época do ano, ocorrem variações (BISCARO, 2007).


Geralmente, quando no relógio a hora passa de 18:00h, as pessoas passam a cumprimentar como “Boa noite!”, mesmo que ainda não tenha escurecido, dependendo da estação do ano, não é mesmo?

O entendimento que a chegada da noite marca o início de um novo dia é bem antigo e a origem desse pensamento remonta aos primeiros seres humanos.

Isso acontece desde o primeiro casal, quando esse período transitório era chamado de “viração do dia”:


“E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.”

Gênesis 3:8 


O termo hebraico traduzido como viração é rûwach [רוּחַ] é significa vento, hálito ou espírito (Concordância de Strong). Segundo o Comentário Bíblico de Beacon, o termo “viração do dia" é uma expressão idiomática para aludir ao início da noite, pois no Oriente Próximo sopra um vento fresco sobre a terra ao pôr-do-sol.


Para as Escrituras Sagradas, por volta desse horário um novo dia começava. Isso mesmo! A primeira parte do dia era a escuridão. Só depois vem a claridade. Primeiro a noite, depois a manhã.



Segundo o Dicionário de Jesus e Evangelhos, os romanos contavam o dia de meia-noite a meia-noite — prática que perdura entre hoje —, enquanto os judeus iniciam o dia com o surgimento da lua, concluindo-o no dia seguinte pela tarde. Para designar um dia completo, costumava-se empregar a expressão “noite e dia”, e suas variantes, como podemos ver nos textos a seguir:


“... E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.” Gênesis 1:5

“... e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.” Gênesis 1:8 

“E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.” Gênesis 1:13 

“E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.” Gênesis 1:19 

“E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.” Gênesis 1:23 

“... e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.” Gênesis 1:31 


À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz.” Salmos 55:17


“E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.” Lucas 2:37


“Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras.” Marcos 5:5



Essa questão já demonstra um símbolo profético, no sentido que, ainda que as trevas atuem durante muito tempo na história da humanidade, o triunfo final da luz é garantido!


“Outra vez vos escrevo um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina.” I João 2:8


Muitos se perguntam o porquê do Senhor não acabar logo com todo sofrimento, maldade, injustiças e a morte. Mas, pela Palavra, entende-se que a revanche virá por parte do Criador logo, logo… 

O que são 6 mil anos de história da humanidade comparados à toda eternidade? Nada!

O símbolo dos luminares que representa o combate entre as trevas e a luz garante a vitória final do Senhor.

Em outra oportunidade será discutido melhor esta questão.


Deus permitiu essa divisão básica entre período escuro da noite e o período claro do dia seja perceptível até mesmo por uma simples criança.

Porém, além da separação básica entre tardes e manhãs, os luminares ajudam a fazer uma organização ainda mais detalhada:




AS QUATRO FASES DO DIA:


Desde os tempos mais antigos, os seres humanos perceberam que o calor do sol não nos atinge de maneira uniforme: há momentos em que o luminar maior brilha intensamente e outros em que sua luz é mais suave. 

Isso acontece porque o Sol emite radiação na forma de ondas eletromagnéticas, que promovem o calor e a iluminação do planeta. 

Nas 24 horas de um dia, a radiação solar irá atingir a superfície de uma localidade qualquer com diferentes intensidades, dependendo do horário, sendo a máxima radiação recebida por volta de meio dia.

No decorrer de um dia, as temperaturas do ar e solo irão variar de acordo com a posição do Sol acima do horizonte. O calor atinge um valor máximo coincidente com a altura máxima do sol ao meio dia. Após este ponto ocorre o declínio das temperaturas. Tal fenômeno irá se estender após o pôr-do-sol e continuar durante toda a noite e madrugada. As temperaturas só voltarão a aumentar com um novo nascer do sol (BISCARO, 2007).

Com base nessa observação, os povos começaram a diferenciar os períodos do dia e a organizar suas atividades de acordo com essas mudanças. Tem-se, então, quatro períodos do dia:


a. Da aurora até ao meio da manhã (cerca de 6h às 9h):

A aurora é vista como o início da manhã, quando o sol nasce e a claridade surge. Esse é o momento ideal para começar as atividades humanas.

"Levanta-se, mesmo à noite, para dar mantimento à sua casa, e a tarefa às suas servas.” Provérbios 31:15

"Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão; porque tu não sabes qual prosperará; se esta, se aquela, ou se ambas igualmente serão boas." Eclesiastes 11:6

"Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.” Mateus 20:1-2

"E disse-me: Deixa-me colher e ajuntar entre as gavelas após os segadores. Assim, pois, veio, e desde pela manhã até agora está aqui, a não ser um pouco que esteve na casa.” Rute 2:7


Para a agricultura, esse primeiro horário da manhã e também o final da tarde são os mais adequados para irrigar, pois a temperatura é mais baixa e a evaporação da água é menor. Isso permite que as plantas absorvam mais umidade e fiquem hidratadas por mais tempo. 

“...as plantas apresentaram o menor potencial hídrico diário no período de 12h00min às 14h00min” (SILVEIRA, 2013, p. 52). Sendo assim, o ideal é que a irrigação seja feita antes do meio-dia.

Para quem gosta, são também os melhores períodos para aproveitar uma praia e não se queimar tanto!

Muitos produtos agrícolas, como grãos e hortaliças, são colhidos também no início da manhã, quando ainda estão frescos e com menos perda de umidade. Acredita-se que frutas colhidas sob o forte calor do sol podem murchar mais rápido. Já alguns grãos precisam ser colhidos quando estão bem secos para evitar o apodrecimento no armazenamento


b. Do meio da manhã até ao meio-dia (cerca de 9h ao meio dia);

O meio da manhã está associado ao aquecimento gradual do sol até o seu ponto mais forte.

Enquanto o sol não apresenta sua maior potência, esse horário, segundo o Comentário Bíblico de Beacon, ocorre a reunião dos desocupados na praça, em grego, ágora, um lugar central de reunião de cada cidade onde as crianças brincavam (Mateus 11:16), as pessoas faziam compras (agorazo = "comprar"), os magistrados julgavam (Atos 16:19), e os filósofos discutiam (Atos 17:17).

“E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,” Mateus 20:3


c. Do meio-dia até a tarde (cerca de meio-dia até às 15h):

Meio-dia é o momento em que o sol está no ponto mais central do céu e quando faz mais calor.

Irrigar a plantação nesse horário não é o ideal porque o calor intenso faz com que a água evapore rapidamente, desperdiçando recursos hídricos e reduz a eficácia da irrigação. 

“Sob o clima de meio-dia… uma grande parte da água perde-se para a evaporação e às raízes apenas chega uma quantidade insuficiente” (LOURENÇO, 1883).

Além disso, a água fria em contato com o solo quente pode causar choque térmico nas raízes de certas plantas.


Pode-se aproveitar esse momento para buscar uma sombra e repousar, quem sabe, comer um lanche para recuperar as energias e voltar ao trabalho na sequência. É o que fez Rute, quando colhia no campo de Boaz:

“Disse-me ela: Deixa-me colher espigas, e ajuntá-las entre as gavelas após os segadores. Assim ela veio, e desde pela manhã está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa… E, sendo já hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu do trigo tostado, e comeu, e se fartou, e ainda lhe sobejou… E esteve ela apanhando naquele campo até à tarde; e debulhou o que apanhou, e foi quase um efa de cevada.” Rute 2:7,14,17

Rute chegou bem cedo, parou para comer e, depois, seguiu até tarde trabalhando…


d. Da tarde ao pôr do sol (cerca de 15h até às 18h)

Nesse período de transição, o sol começa a descer e o clima vai se tornando mais ameno.

Aqui o solo volta a ficar mais fresco e úmido, o que favorece novamente a irrigação das plantas e indica também a hora de deixar o campo e voltar para casa, a fim de descansar e restaurar as energias para o próximo dia de trabalho.

Assim, o pôr do sol marca o fim das atividades, o pagamento do dia de trabalho aos empregados, a volta para casa e o início da noite.

“E, aproximando-se a noite, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um. Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.” Mateus 20:8-10

Segundo a Concordância de Strong, onde acima foi traduzido por “dinheiro”, seria “denário”, ou dēnárion [δηνάριον], significando “que contem dez”. O denário era uma moeda romana de prata usada na época de Jesus. Recebeu este nome por ser equivalente a dez “asses”.

Da parábola dos trabalhadores da vinha, tem-se a impressão de que o denário era costumeiramente o pagamento devido por um dia de trabalho.



III. AS DOZE HORAS DO DIA


Com a necessidade de maior precisão impulsionada por fatores religiosos e de trabalho, surgiram os primeiros instrumentos de medição do tempo que organizavam de maneira mais detalhada o dia (no caso, a manhã e a tarde), passando, então, a ser dividido em doze horas, segundo o próprio Senhor Jesus afirmou:


“Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo;” João 11:9


Para medir as doze horas do dia utilizava-se instrumentos como o relógio de sol. 

“Há indícios de que os babilônicos utilizavam os relógios de sol, isto é, uma vareta espetada no chão formando com este um ângulo de 90º e sua sombra projetava a duração do dia, bem como os egípcios, cerca de 1500 a.C. O relógio de sol constitui-se em um importante instrumento de medida do tempo que continuará sendo utilizado nos séculos posteriores em diversos lugares do planeta” (GONÇALVES, 2018, p. 16)


Como era esse Relógio de Sol?

Esse relógio era um dispositivo portátil de pedra calcária, com cerca de 16 cm de comprimento. Seu design era simples, mas funcional:

Possuía uma base plana onde estavam gravadas 12 marcas em forma de semicírculo, representando a divisão das doze horas diurnas. Além disso, possuia uma haste vertical, provavelmente de madeira ou metal, chamada de gnômon, que era inserida na extremidade do relógio para projetar a sombra. Conforme o Sol se movia, a sombra avançava sobre as marcas horárias indicando o horário. Pela manhã, essa haste era colocada em um lado do relógio e, ao meio dia, no lado oposto, permitindo a medição do tempo na parte da tarde, pois a direção da sombra mudava conforme o movimento do Sol.



“Disse Isaías: Isto te será sinal, da parte do SENHOR, de que o SENHOR cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus, ou voltará dez graus atrás? Então disse Ezequias: É fácil que a sombra decline dez graus; não seja assim, mas volte a sombra dez graus atrás. Então o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez voltar a sombra dez graus atrás, pelos graus que tinha declinado no relógio de sol de Acaz.” II Reis 20:9-11


Tendo entendido a forma como os antigos dividiam o tempo em doze horas, segue abaixo alguns exemplos de marcação de horas que aparecem nas Escrituras:


a. Terceira Hora (8h às 9h)

“E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,” Mateus 20:3 

"E era a hora terceira, e o crucificaram." Marcos 15:25

“Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia.” Atos dos Apóstolos 2:15


b. Sexta Hora (Meio-dia às 13h)

“Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.” Mateus 20:5

“E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta.” João 4:6 

"E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei." João 19:14

“E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona.” Mateus 27:45

“E no dia seguinte, indo eles seu caminho, e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao terraço para orar, quase à hora sexta.” Atos dos Apóstolos 10:9


c. Sete horas (13h às 14h)

“Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou.” João 4:52


d. Nona Hora (15h às 16h)

“E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? Isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mateus 27:46

“E PEDRO e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona.” Atos 3:1

“Este, quase à hora nona do dia, viu claramente numa visão um anjo de Deus, que se dirigia para ele e dizia-lhe: Cornélio.” Atos dos Apóstolos 10:3

“E disse Cornélio: Há quatro dias estava eu em jejum até esta hora, orando em minha casa à hora nona.” Atos dos Apóstolos 10:30


e. Décima hora (16h às 17h)

“Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima.” João 1:39


f. Hora Undécima (a última hora do dia - 17h às 18h)

“E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia? … Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.” Mateus 20:6,12 


IV. HAVIA SEPARAÇÃO DO TEMPO EM MINUTOS?


Não! Os minutos e segundos só vão surgir como unidades de medida do tempo bem recentemente. Porém, é interessante a forma com que as Escrituras demonstram como os antigos contavam o movimento da terra em relação ao sol: através da geometria!


Os dez graus mencionados em II Reis 20:9-11 representam uma fração do dia no relógio de sol de Acaz, mas para entender o tempo exato envolvido, é necessário fazer alguns cálculos.  


Se um círculo completo tem 360 graus, um relógio de sol possui uma circunferência equivalente a 180 graus (meio círculo).  

Assumindo que 180 graus representam, então o tempo do dia (aproximadamente 12 horas), então:  

- Cada grau representaria cerca de 4 minutos (pois 180 graus ÷ 12 horas = 15 graus por hora; 60 minutos ÷ 15 graus = 4 minutos por grau).  

- Dez graus representariam cerca de 40 minutos (10 × 4 minutos).  

Sendo assim, Deus fez o tempo voltar 40 minutos! Só o Senhor é Deus!



V. COMO ERA ORGANIZADA A NOITE?


“Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.” Lucas 2:8

Especialmente nos dias de verão, os pastores levavam os seus animais para pastarem no campo à noite. Admirando a beleza dos céus, quem sabe, foram importantes para a observação dos céus à noite,

A noite não aparece nas Escrituras sendo dividida em horas pelos judeus, mas sim, organizada por períodos denominados de vigílias.

Diversos autores defendem a ideia de que os judeus (ainda no chamado Antigo Testamento) dividiam a noite em três turnos de guardas, mas, depois, por influência da cultura romana, passaram a separar a noite em quatro períodos, cada um com cerca de três horas:


“Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo ou se pela manhã.” Marcos 13:35


Seguem textos que comprovam a ideia da noite organizada por quatro vigílias:


1. Primeira Vigília (Fim da tarde / Início da noite – por volta das 18h até às 21h):

“Levanta-te, clama de noite, no princípio das vigílias; derrama como água o teu coração diante da face do Senhor; levanta para ele as mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas.” Lamentações 2:19


2. Segunda Vigília (Meia-noite – por volta das 21h até às 00h):

“Chegou, pois, Gideão e os cem homens que com ele iam ao extremo do arraial, ao princípio da vigília da meia-noite, havendo-se já colocado os guardas; e tocaram as trombetas e quebraram os cântaros que tinham nas mãos." Juízes 7:19


3. Terceira Vigília (Antes do amanhecer – por volta das 00h até às 3h):

“Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e assim os achar, bem-aventurados são os tais servos." Lucas 12:38


4. Quarta Vigília (Entre o canto do galo e o Amanhecer – por volta dàs 3h até às 6h):

“E aconteceu que, na vigília da manhã, o Senhor, na coluna de fogo e de nuvem, viu o campo dos egípcios e alvoroçou o campo dos egípcios.” Êxodo 14:24

“Sucedeu que, ao outro dia, Saul dividiu o povo em três companhias, que, pela vigília da manhã, vieram para o meio do arraial e feriram a Amom, até que se fez sentir o calor do dia. Os sobreviventes se espalharam, e não ficaram dois deles juntos.” I Samuel 11:11

“Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar." Mateus 14:25


VI. AS DOZE HORAS DA NOITE BASEADAS NAS ESTRELAS


É importante destacar que, embora os judeus do tempo bíblico não demonstram o hábito de contar as horas da noite, outros povos tinham esse costume:

“E, chamando dois centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavalaria, e duzentos arqueiros para irem até Cesareia;” Atos dos Apóstolos 23:23


Os antigos desenvolveram métodos impressionantes para medir o tempo observando os astros. Os astrônomos antigos perceberam que as estrelas seguiam um padrão regular de movimento. Eles usavam esse conhecimento para dividir a noite em períodos.


a. O surgimento das estrelas: Se uma estrela específica sempre aparece no mesmo ponto do céu ao anoitecer, os astrônomos podem usá-la como um marco de tempo. Eles catalogaram quais estrelas ou constelações que surgiam e desapareciam em momentos fixos da noite, funcionando como marcadores de horas. 

Se um astrônomo via a estrela X surgindo no horizonte, ele sabia que a primeira hora da noite havia começado. Quando a estrela Y aparecia, sabia que a segunda hora havia se iniciado, e assim por diante.


b. O movimento das estrelas: A Terra gira em torno de seu próprio eixo de oeste para leste, fazendo com que as estrelas pareçam se mover de leste para oeste no céu. Como a Terra leva 24 horas para girar 360 graus, as estrelas parecem se mover a uma taxa de 15 graus por hora. Assim, se um astrônomo observar uma estrela a 30 graus acima do horizonte, ele saberá que duas horas se passaram desde que ela surgiu no horizonte (30° ÷ 15°/h = 2h).  


c. A comparação entre as estrelas e a lua. Para exemplificar, um astrônomo escolhe a estrela Sírio, que sempre nasce no mesmo ponto do horizonte todas as noites. Suponha que Sírio surge no horizonte exatamente 2 horas após o pôr do sol. Já a constelação de Órion aparece 3 horas depois de Sírio. Quando Órion surge no céu, sabe-se que 5 horas se passaram desde o pôr do sol. Depois, mede-se a distância entre a Lua e uma estrela fixa. Se a Lua tiver avançado 5 graus, ele sabe que 10 horas se passaram. E assim por diante.


Esse conhecimento era essencial para navegação, por exemplo. Além dos astros servirem como guia, calcular o tempo ajudava a definir as marés e, com isso, o local ideal para ancorar os barcos, pescar etc.


Até aqui, foi apresentada a organização do dia entre períodos e horas, e a organização da noite entre vigílias e horas.

Mas, e as semanas, meses, estações e anos, também eram medidos desde a antiguidade pelos luminares?

Sim! Porém é o que será analisado em uma próxima oportunidade, se o Senhor permitir.


O Deus que fez aparecer os luminares no dia quarto de Gênesis 1 revelou a importância de usá-los como marcadores de tempo. Não só o sol ou só a lua, mas o sol, a lua e as estrelas. Toda a imensidão do Universo que o homem pode perceber revela o poder do Criador, mas também a Sua organização. Tudo tem propósito, pode favorecer ao homem e revela segredos ocultos desde a fundação do mundo…




Fonte Bibliográfica:

BISCARO, Guilherme Augusto. Meteorologia Agrícola Básica. 1ª. Edição. UNIGRAF - Gráfica e Editora União Ltda. 2007


GONÇALVES, Rafael Marques. A Trigonometria e a História da Matemática em sala de aula: uma experiência com a construção de instrumentos de navegação e do relógio de sol. Instituto de Matemática e Estatística. Licenciatura em Matemática Porto Alegre. 2018.


SILVEIRA, Marques de Castro. Fisiologia de plantas de meloeiro cultivadas sob diferentes níveis de irrigação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências Agrárias, Departamento de Engenharia Agrícola, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Fortaleza, 2013.


26 janeiro 2025

O Jardim no Éden e a Cidade Celeste




O Jardim


“E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica. E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates.

E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.

E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Gênesis 2:8-17


O que é um Jardim?

Jardim é uma área com elementos naturais, porém projetada com estética e simetria. O uso de água por meio de lagos e piscinas é frequente. Jardins têm sido elaborados como locais de contemplação e também de comunhão entre amigos. Além da beleza e perfume das flores, também podem fornecer alimentos, ervas medicinais ou especiarias.


A diferença entre um jardim e uma mata ou floresta reside principalmente no grau de intervenção, no propósito e na organização desses espaços.  Enquanto um jardim é um espaço projetado e mantido pelo homem com objetivos específicos, uma mata é um ecossistema natural que se desenvolve espontaneamente, sem intervenção direta, que parece ser, a princípio, desordenado.


O Jardim, portanto, não deixa de ser um tipo de construção, porém constituído de elementos vivos: árvores e plantas.


A simetria do Jardim no Éden,consistia de plantas e árvores engenhosamente plantadas pelo próprio Deus, uma ligada à outra, formando um cerco em volta, com uma entrada ao oriente, um caminho para a árvore da vida, com rios abundantes regando tudo, e, claro, muita beleza e frutos deliciosos.


“O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.” Gênesis 3:23


Adam, banido do Jardim, vive ao oriente, no campo. Embora também tenha intervenção humana, o campo tem o propósito específico de alimentação. Não tem a intenção de ser belo e ser usado para desfrutar de momentos de paz, como o Jardim. O campo é específico para trabalho. E, agora, trabalho duro.


“E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.” Gênesis 3:24


Outro ponto é que, além de Adam ser impedido para sempre de acessar o Jardim novamente, em seu lugar, Deus colocou provisoriamente querubins, ou seja, seres celestiais. Que lugar tão especial é este? Se fosse um simples jardim, vastava destruí-lo, porém Deus deixou uma mínima esperança de que alguém, um dia, atravessaria a espada de fogo ali colocada e daria à humanidade, no futuro, o direito de escolher a árvore correta… A semente da mulher, ferida pela serpente, iria passar pela morte, enfrentar a espada, e, depois de morto, iria ressuscitar para nos dar o direito de comer dessa árvore novamente…


“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” Gênesis 3:15


“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.” Apocalipse 2:7


Jesus é o Caminho de volta à vida ao Jardim!


“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João 14:6


“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo hoje estarás comigo no Paraíso.” Lucas 23:42.43










A Cidade


“E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.” Gênesis 4:3-5


“E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque;” Gênesis 4:16,17


Caim, filho de Adam, após ter seu sacerdócio e sua vida reprovados por Deus, vai ainda mais para o oriente, e constrói a primeira cidade.

Mas, no que Caim se inspirou para construir esta cidade?

Teria ele pensado na estrutura do Jardim fechado para levantar seus muros?

É bem provável que sim, pois o Jardim era o que havia de mais estruturado até então.


Porém, na cidade de Caim, a organização divina da família dá lugar à libertinagem e ao prazer desenfreado:

“E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá.” Gênesis 4:19


Além disso, os frutos da terra agora dão lugar à carne animal:

“E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado.” Gênesis 4:20


A presença de Deus tenta ser substituída por música e muito entretenimento:

“E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão.” Gênesis 4:21


E a vegetação do Jardim agora dá lugar aos metais:

“E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema.” Gênesis 4:22


Há um contraste entre o Jardim de Deus e a cidade de Caim: O Jardim é um lugar de comunhão, de paz, mas a cidade é lugar de aglomeração, agitação e angústia…

O termo hebraico para cidade é iyr [עִיר] e está ligado ao termo uwr [עוּר], que significa agitar, despertar, segundo o dicionário Strong.





A Cidade e a Torre


Mais tarde, houve um homem que tentou unir ainda mais essas duas propostas: Um local cercado como o Jardim, e o caminho para a árvore da vida…


Nimrode iniciou a construção de uma cidade para estabelecer seu governo, que foi chamada de Babel. Inspirado na cidade de Caim, ele usa tijolos estáticos, sem vida, que não se renovam naturalmente, para levantar suas paredes.


E, nesta cidade, de modo ainda mais ousado que Caim, tentou ainda levantar uma torre para se chegar aos céus:


“E Cuxe gerou a Ninrode; este começou a ser poderoso na terra. E este foi poderoso caçador diante da face do Senhor; por isso se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. E o princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar. Desta mesma terra saiu à Assíria e edificou a Nínive, Reobote-Ir, Calá, e Resen, entre Nínive e Calá (esta é a grande cidade).” Gênesis 10:8-12

“E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal. E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra.” Gênesis 11:1-9


Caim, o primeiro construtor de uma cidade, foi reprovado por Deus ao tentar ser sacerdote. E como isso se liga à real intenção de Nimrode ao tentar erguer a torre? 


Será que ele tinha o desejo de alcançar o caminho que havia no Jardim?

Ele começa a levantar a torre para chegar a Deus e ser como Ele?


Seja como for, ele queria se reaproximar do local sagrado pela própria força… Não para ser amigo de Deus, mas sim, para se rebelar, pois seu nome tem a mesma raiz em hebraico de rebelião. [נִמְרֹוד]


“E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden.” Gênesis 4:16

“E este foi poderoso caçador diante da face do Senhor; por isso se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor.” Gênesis 10:9


O termo heraico para torre é migdal [מגדל] e pode significar: púlpito, plataforma elevada, leito erguido (Léxico de Strong). Ou seja, a torre não era um prédio para pessoas morarem (para isso, tinha a cidade), mas sim, um local de culto. Um local para se aproximarem da divindade. Quem sabe, Ninrode estava numa tentativa de voltar para o Jardim, agora desaparecido, após o mundo ter sido assolado pelo dilúvio…





A Cidade e O Jardim


Mas, será mesmo que os homens ainda falavam sobre o Jardim e desejavam voltar para lá, mesmo depois de tanto tempo? Faz sentido as comparações que estamos fazendo até aqui entre Jardim e Cidade?

A resposta pode estar no texto a seguir:


Continuando lendo o livro de Gênesis, a próxima citação sobre cidades está no contexto da separação entre Abraão e Ló. O sobrinho de Abraão, novamente seguindo para o oriente como Adam, Caim e Nimrode, avista as cidades de Sodoma e Gomorra. Detalhe que, assim como todas as cidades anteriores, estas também são reprovadas por Deus. Entretanto, a grande questão aqui é que a aparência destas cidades, aos olhos de Ló, é como a do próprio Jardim de Deus…


“E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se escolheres a direita , eu irei para a esquerda.

E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro.

Habitou Abrão na terra de Canaã e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor.” Gênesis 13:8-13





Ló foi enganado pelo que é aparente. Mas essa trágica comparação é uma prova de que o desejo de ver o Jardim ainda era real no coração das pessoas.

Estariam esses homens tentando encontrar o Jardim desaparecido?

Esse era o assunto do dia a dia deles?

Essa era a base da fé deles?

A resposta é sim e podemos confirmar isso mas Escrituras:


“Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.” Hebreus 11:8-10


Como podemos ver, a família de Abraão tinha este anseio. Quando Abraão saiu com sua família da terra de Nimrode, no caso, Ur dos Caldeus, que ficava próximo de Babel, Deus plantou em seu coração o desejo de encontrar uma cidade. Porém, esta não era uma construída por Caim, nem por Nimrode, nem por homem algum. Ele ansiava por um espaço cercado, murado, sim. Ele ansiava por um lugar engenhosamente projetado e estruturado, sim. Porém, esse território esperado seria um plantado pelo próprio Deus, assim como Deus plantou o Jardim do Éden.




A Cidade no Céu


“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” Hebreus 11:13-16


Curiosamente, assim como Ninrode esperava, realmente este lugar estava no céu, porém, embora esse tirano não tenha conseguido, é para lá que Abraão vai!


O texto acima diz que Abraão viu, creu e abraçou. Mas, quando isso aconteceu?


“Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência. E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça. Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la.” Gênesis 15:5-7





Nesse texto não vemos Abraão abraçando, mas diz que ele “viu” as estrelas do céu e “creu”.

O que ele viu quando estava olhando para os céus? 

O que ele viu para gerar uma fé que o justificou e salvou?

Seja como for, ele estava olhando, ou tinha acabado de olhar para o céu, quando Deus prometeu a ele “esta terra”.  Mas, “esta terra” seria o que ele viu no céu, ou o chão que ele pisava?


“E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.” Gênesis 14:19-20


No chão, seus pés tocavam Salém, ou Jerusalém. Mas, seus olhos contemplavam pela fé a Jerusalém de cima, a Nova Jerusalém que de Deus descerá dos céus…


“Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.” Gálatas 4:26


“Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos;” Hebreus 12:22


“E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” Apocalipse 21:1-3


Foi também ali em Jerusalém que Abraão e Isaque viram algo especial.


“E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.” Gênesis 22:1,2


Moriá é Jerusalém. O lugar onde Abraão viu a promessa do descendente nas “estrelas” e creu, seria o lugar onde ele levaria o seu filho para ser oferecido em sacrifício:


“Começou Salomão a edificar a Casa do SENHOR em Jerusalém, no monte Moriá, onde o SENHOR aparecera a Davi, seu pai, lugar que Davi tinha designado na eira de Ornã, o jebuseu.” II Crônicas 3:1


Jerusalém é uma cidade, então, muito especial, de alguma forma…

Mas, continuando a história:


“Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos. E chegaram ao lugar que Deus lhe dissera, e edificou Abraão ali um altar e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha. E estendeu Abraão a sua mão, e tomou o cutelo para imolar o seu filho; Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho. Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho. E chamou Abraão o nome daquele lugar: o Senhor proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá. Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus,...” Gênesis 22:7-15


O verbo raah [רָאָה], traduzido como “proverá”, segundo o dicionário Strong, na verdade, significa: “ver, examinar, inspecionar, perceber, ter visão, observar, fitar, aparecer, apresentar-se, ser visto, estar visível, fazer ver, mostrar, fazer olhar intencionalmente para, contemplar, fazer observar, ser levado a ver, ser mostrado, estar de fronte etc. Ou seja, Abraão entendeu que o Senhor os faria ver. Eles veriam algo muito especial ali.


E o que foi percebido? Um anjo bradando desde os céus! 

Abraão tinha tido a experiência de ver a sua descendência nas estrelas dos céus. Agora contempla nos céus um anjo do Senhor. Ao olhar para cima, no mesmo local, Jerusalém, Abraão contempla o mundo espiritual de alguma forma…

Na primeira vez, em Jerusalém, ao olhar para os céus, Abraão creu que teria um filho. Na segunda vez, em Jerusalém, Abraão provou que creu ao entregar seu filho, e olhou novamente para o alto.


“Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.” João 8:56





Foi após passar por Jerusalém, ao chegar em Betel, que Jacó também viu algo especial:


Partiu, pois, Jacó de Berseba, e foi a Harã; E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar. E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado.” Gênesis 28:10-15


Uau! Deus o mostrou o acesso aos céus, à pátria celestial! A Escada que levará o pecador de volta ao Senhor! Aleluia!




O Jardim na Cidade Celestial


Para confirmar que o Jardim é o local que Jesus vai conceder ao povo de Deus, podemos ler os três textos a seguir:

Entenda que Paraíso é a palavra sinônima para Jardim nas Escrituras. 


“Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu. E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar.” II Coríntios 12:1-4


“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.” Apocalipse 2:7


“E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações.” Apocalipse 22:1,2


Essa é a expectativa de Abraão, Isaque e Jacó. Essa é a expectativa de todo o povo de Deus. Voltar para a origem. Ser convidado para o lugar de onde nosso pai Adam foi expulso. Tudo isso só será possível pelo precioso sangue derramado de Jesus. Sem o nosso Salvador, ninguém conseguiria ter acesso.