29 setembro 2013

400 ou 430 anos?


Ao compararmos os dois textos abaixo, nos deparamos com um conflito. Afinal, qual o período correto em o povo de Israel ficou escravizado no Egito? 400 ou 430 anos?

Então o Senhor lhe disse: "Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos..., depois de tudo, sairão com muitos bens... Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá..."” Gênesis 15:13-16
Ora, o período que os israelitas viveram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos. No dia quando se completaram os quatrocentos e trinta anos, todos os exércitos do Senhor saíram do Egito.” Êxodo 12:40,41

Vamos fazer algumas considerações:

O CATIVEIRO NÃO PODE TER SIDO MAIS DO QUE 350 ANOS!

- Quando José, o governador do Egito, trouxe sua família hebreia, seu irmão Levi já tinha filhos, sendo Coate um deles (Gênesis 46:6-11);
- A Bíblia também nos informa que Levi morreu com 137 anos, seu filho Coate com 133, seu neto Anrão com 137 (Êxodo 6:16-20) e seu bisneto Moisés libertou Israel quando tinha 80 anos (Êxodo 7:7);

- Poderíamos supor uma data em que esses homens estavam já jovens e prontos para gerar filhos, porém, para chegarmos ao máximo de tempo possível, vamos considerarmos o fato bem improvável de que Coate tinha acabado de nascer quando entrou no Egito, e este gerou seu filho Anrão no último ano de sua vida, bem como se Anrão gerou Moisés também no último ano de sua vida. Assim, somamos todos os anos de vida desses três homens e chegamos ao seguinte cálculo: 133 + 137 + 80 = 350;

- Seria, então, 350 anos de cativeiro? Também não! Até porque não tem lógica todos esses homens terem filhos só no último ano de sua vida. Só fizemos esse cálculo para dar uma longa margem de possibilidade do que poderia acontecer. Mas, por esse cálculo, já podemos ver que o escritor de Êxodo deixou-nos uma pista de que os 430 anos não significa o tempo em que eles literalmente viveram no Egito.


NÃO PODE SER MAIS DO QUE 217 ANOS!

- A escravidão só começou depois que José e toda a geração que entrou no Egito morreram.

- Considerando a genealogia de Êxodo 6:16-27, temos quatro gerações que viveram após a morte de Abraão: Levi (irmão de José) > Coate > Anrão > Moisés. Como Levi e Coate fazem parte da geração que entrou com José no Egito (Gênesis 46:6-11), eles foram polpados da servidão (Êxodo 1:1-22).

- Somente Anrão (que morreu com 137 anos segundo Êxodo 6:20) e Moisés (que libertou o povo de Israel quando tinha 80 anos, segundo Êxodo 7:7) conheceram a escravidão de perto.

- Se usarmos como exemplo o cálculo anterior, de que Anrão teve Moisés no seu último ano de vida (o que seria difícil aceitarmos, mas usamos como uma possibilidade a fim de estendermos as datas), teríamos o seguinte cálculo: 137 (idade de Anrão) + 80 (idade de Moisés quando Israel foi liberto) = 217. Ou seja, o tempo de opressão sobre os israelitas foi bem menor do que imaginamos...

Os cálculos acima não refletem a exata realidade. Apenas fizemos isso para provar que o tempo de Israel no Egito é bem menor do que os 430 anos. Sendo assim, vamos analisar o que significam os 400 anos mencionados em Gênesis e os 430 anos mencionados em Êxodo:


400 x 430 ANOS

Explicaremos aqui a profecia descrita abaixo ponto por ponto:
Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” Gênesis 15:13-16


“... Peregrina será a tua descendência em terra alheia...
Desde que Abrão saiu de sua terra natal, Ur dos Caldeus, ele e seus filhos viveram sempre como nômades, ou peregrinos, como nos mostra o texto a seguir:
Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa.” Hebreus 11:8-9
Ou seja, não foi apenas o fato de Jacó e seus descendentes terem ido ao Egito que deu início à peregrinação. O próprio Abrão já era um peregrino e os seus sucessores. Além do mais, o próprio Abrão viveu um período no Egito (Gênesis 12:10-20).
Sendo assim, completa-se 430 anos no dia em que os israelitas saem do Egito contando desde o momento em que Deus retira Abrão e Sarai de Ur dos Caldeus, quando o Senhor faz uma outra promessa, relacionada ao descendente de Abrão que abençoaria todas as nações da terra, de acordo com o apóstolo Paulo:
 “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti... Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo. Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a Torah, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa. ” Gálatas 3:8,16,17
O texto é claro. Paulo não considera os 430 anos apenas como o período em que Israel morou no Egito, mas, o tempo desde o chamado de Abrão até a libertação de Israel. Compare os versículos acima com Gênesis 11:31; 12:1-4; Atos 7:2-20.
Mas, e os 400 anos? Falaremos posteriormente...



Ora, o período que os israelitas viveram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos. No dia quando se completaram os quatrocentos e trinta anos, todos os exércitos do Senhor saíram do Egito.” Êxodo 12:40,41
Esses versículos, na Língua Portuguesa, mostram que Israel viveu NO Egito durante 430 anos, porém a preposição no hebraico pode designar tanto “em” (no Egito), quanto “com” (com o Egito). Ou seja, Abrão e sua família habitaram com os egípcios. Não podemos usar esses dois versículos isoladamente. Sabemos através da família de Levi que o cativeiro não pode ter durado todo esse tempo, o que concorda com Gênesis, o próprio livro de Êxodo e Gálatas.

De Ur dos Caldeus, Abrão foi para Harã, depois para Canaã (Siquém, Carvalhos de Manre, Betel), Egito e, depois, voltou para Canaã (Hebrom, Dã, Hobá, Salém, Gerar, Berseba, Moriá). Isaque, filho de Abraão, habitou em alguns lugares de Canaã (Gerar e Berseba). Jacó, seu neto, cresceu em Canaã, foi para Harã, depois voltou para Canaã e, por fim, foi morar no Egito. José e seus irmãos, os bisnetos de Abraão, cresceram em Canaã e depois foram para o Egito. E, a partir daí, até Moisés, que morou um tempo em Midiã e depois voltou ao Egito, os tataranetos de Abraão viveram no Egito.


... e será reduzida à escravidão...
Diferente da peregrinação de Abraão e sua descendência que acabamos de abordar, nem todos eles foram subjugados. Como falamos na introdução, a sujeição dos hebreus só aconteceu depois que José e toda a geração que entrou no Egito morreram (Êxodo 1:8-22), não mais do que 200 anos, considerando o total do tempo de vida de Anrão, neto de Levi – 137 anos (Êxodo 6:16-20) e a idade que Moisés tinha no tempo da libertação – 80 anos (Êxodo 7:7).

O Faraó temeu que os filhos de Israel se unissem aos seus inimigos e, embora os próprios egípcios fossem favoráveis a eles (Êxodo 1:17; 2:6-10; 11:3; 12:35,36,38), o novo rei do Egito os obrigou de maneira terrivelmente opressora, a construir cidades e, para impedir a multiplicação descontrolada, ordenou que fossem mortos seus filhos (Êxodo 1:8-22). Moisés nasceu como resposta de Deus justamente no momento em que o povo de Israel implorava pelo socorro do Senhor...


..., e será afligida por quatrocentos anos,...
Já mostramos anteriormente que os 430 anos equivalem ao tempo desde a saída de Abrão de Ur dos Caldeus até a saída de Israel do Egito. Mas, e esses 400 anos? A que tempo se refere?

Logo após esta profecia (Gênesis 15), Abrão gera Ismael com a idade de 85 anos (Gênesis 12:4; 16:3). Portanto, devemos considerar os 400 anos de aflição a partir dos 85 anos de Abraão até a saída dos israelitas do Egito (Gênesis 15:13). A partir daí, concluímos que já havia se passado 30 anos desde que Abraão saiu de Ur dos Caldeus e 10 anos que Abrão estava morando em Canaã.

Mas, que tipo de aflição os descendentes de Abrão sofreram a partir dali?
Desde a gravidez da egípcia Hagar, a família de Abrão começou a ser perseguida, sendo humilhada por esta concubina e por seu filho Ismael, que, inclusive, casou-se também com uma egípcia (Gênesis 16:4,11,12; 21:9). Isaque, Jacó e todos os seus filhos tiveram experiências ruins com os egípcios.

Bom, antes desses acontecimentos, o próprio Abrão e Sarai passaram por um sufoco no Egito, quando Sarai foi escolhida para ser uma das mulheres da casa de Faraó e Deus interferiu para impedir isso (Gênesis 12:10-20). Não sabemos quando exatamente isso ocorreu, mas foi durante os 10 primeiros anos de Abrão na terra de peregrinação em Canaã. Enfim, muito antes do povo de Israel sofrer a escravidão no Egito, a família de Abraão já havia passado por aflições . Mas, os 400 anos terminaram, e Israel foi livre para poder voltar a Canaã e recomeçar uma nova história...


“... eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza...”
Quem nunca ouviu falar das pragas do Egito? Água do rio Nilo convertida em sangue, rãs, piolhos, moscas, peste nos animais, úlceras, chuva de pedras, gafanhotos, trevas em pleno dia e morte dos primogênitos. Sem falar com o exército egípcio e o Faraó morrerem afogados no mar vermelho... Deus realmente pesou o coração de Faraó, condenou-o e, junto com ele, todos os demônios que ali se fingiam de deuses e seus seguidores (Êxodo 12:12).


“... depois sairá com grande riqueza...”
Antes de saírem, porém, os israelitas cobraram o tempo em que foram escravizados, recebendo dos egípcios todo o tipo de objetos de ouro e prata, bem como roupas (Êxodo 11:2; 12:35,36). Cumpria-se mais uma vez a profecia dita a Abrão 400 anos antes.


“... tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá...
Após a morte de Abraão, deveríamos contar quatro gerações para os israelitas voltarem para Canaã. E foi o que aconteceu. Abrão morreu no ano 2123 d.A., nessa época já eram nascidos Isaque (2048 d.A.) e Jacó (2108 d.A.), mas após a morte do patriarca, surgem quatro gerações: Levi, Coate, Anrão e Moisés. Foi justamente na geração de Moisés que Israel saiu do Egito indo em direção a Canaã (nas pessoas de Josué e Calebe)...


CHEGAMOS, ASSIM, AO TOTAL DE 195 ANOS NO EGITO!

Enfim, vamos explicar como seria cronologicamente

Fato:
Abrão sai de Ur dos Caldeus
Abrão chega a Canaã
Abrão faz aliança com Deus
Jacó e sua família vão ao Egito
Moisés é usado por Deus para libertar Israel
Ano:
2003 d.A.
2023 d.A.
2033 d.A.
2238 d.A.
2433 d.A.

400 anos

430 anos

Obs.: “d.A.” significa “depois de Adam”, ou seja, aqui não estamos seguindo o calendário romano, mas o calendário bíblico (clique no link para ver o calendário mais completo).


O CATIVEIRO NÃO DUROU MAIS QUE 123 ANOS!

"Faleceu José, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração. E os filhos de Israel frutificaram, aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles. E levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José; O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. Eia, usemos de sabedoria para com eles, para que não se multipliquem, e aconteça que, vindo guerra, eles também se ajuntem com os nossos inimigos, e pelejem contra nós, e subam da terra. E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas. Porque edificaram a Faraó cidades-armazéns, Pitom e Ramessés. Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam, e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel. E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os obrigavam com dureza." Êxodo 1:6-14

- Não teremos aqui como afirmar o ano exato em que a escravidão começou, porque não temos a data em que a última pessoa da geração de José faleceu. Mas, utilizando as datas que Gênesis e Êxodo nos apresentam (o mesmo calendário bíblico do link acima), sabemos que José morreu com 110 anos, em 2309 d.A.

- Também entendemos pelo texto bíblico que Moisés foi usado por Deus para libertar o povo de Israel do Egito no ano 2433 d.A., quando tinha 80 anos. Sendo assim, subtraindo o ano que Israel foi liberto pelo ano que José faleceu, temos o seguinte cálculo: 2.433 - 2.309 = 124 anos. 

- Sendo assim, podemos chegar a conclusão de que Israel sofreu nas mãos do Faraó por cerca de 120 anos.

4 comentários:

Roberto Saturnino disse...

Me esclareceu muito as minhas dúvidas, como Professor de Escola Dominical vai ajudar muito na classe e no dia-a-dia

Ralph Castello disse...

Muito bom! Graça, paz e cobertura do Sangue de Cristo.

Tiago Saraiva disse...

Excelente. Explica muita coisa, inclusive encaixa com várias descobertas arqueológicas, comprovando a veracidade histórica da bíblia. Pesquise Patterns of evidences - Exodus, excelente documentário que comprova a veracidade dos textos bíblicos historicamente.

Anônimo disse...

Mas porque, que o povo de Israel tinha que passar por este sofrimento no Egito?